quinta, 06 de maio de 2021

Educação
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Após reforma, aulas voltam em escola estadual em condições precárias

Bárbara Wanderley / 28 de agosto de 2018
Foto: ASSUERO LIMA
Após duas semanas sem aulas devido a uma reforma, a Escola Estadual de Ensino Fundamental Epitácio Pessoa, localizada no bairro de Tambiá, em João Pessoa, retomou ontem as atividades. A reforma, porém, ainda não acabou e diversos pais de alunos denunciaram que não há condições mínimas para as crianças estudarem.

A poeira e o barulho da obra são apenas alguns dos problemas, muitas crianças são alérgicas e correm o risco de adoecer. Também há o risco de acidentes, já que há andaimes, tapumes e materiais de construção espalhados pelo prédio. De acordo com uma mãe, que preferiu não se identificar, apenas um banheiro estava funcionando para todos os alunos e muitas turmas estavam estudando juntas por não ter sala suficiente para todos. “Se tem duas turmas de 5º ano, por exemplo, as duas estão na mesma sala”, disse.

Rosa (nome fictício, pois não quis se identificar) contou que quando foi deixar o filho de 10 anos na escola, os funcionários não queriam deixar que os pais entrassem. Apreensiva e querendo ver a estrutura do local onde deixaria o filho, ela contou que, junto com outras mães e pais, desobedeceu à recomendação e ‘invadiu’ a escola. Outra mãe, Adriane Martins, disse que tentou filmar a situação, mas foi impedida pela diretora da escola.

Ao ver a situação das salas de aula, empoeiradas e com o pó da madeira sendo serrada na obra, Rosa começou a temer pela saúde do filho, que tem alergias e ouviu de uma professora que teria que levar o teste alérgico da criança para a escola. “Quero ver como ele vai ficar depois da aula, se ele começar a tossir não vai mais poder ir e o gasto com remédios fica para mim e para o pai dele”, comentou.

Inicialmente foi dito aos responsáveis que não haveria merenda para os alunos, mas após diversas reclamações, a diretoria da escola voltou atrás e disse que providenciaria um lanche. Com toda a situação, os estudantes estão saindo uma hora mais cedo, sendo que a turma da manhã foi liberada às 10h e a turma da tarde às 16h.

A mudança de horário termina prejudicando os pais que trabalham, conforme explicou um pai que estava no local aguardando a saída do filho. “A gente normalmente saía no horário do almoço, mas agora eu tenho que sair no meio do expediente para pegar o menino na escola e tem patrão que não entende isso”.

Pelo lado de fora da escola é possível ver andaimes montados, material de construção e funcionários trabalhando inclusive no teto, que está parcialmente destelhado. Adriane Martins contou que foi informada pela diretoria da escola que outras opções de prédio foram procuradas, para que os alunos tivessem aulas em outro local, mas não foi encontrado outro prédio disponível para cumprir a função.

Secretaria tenta não prejudicar alunos

A Secretaria de Estado da Educação (SEE) informou que o procedimento sempre que uma escola vai passar por reforma é providenciar um prédio nas imediações para funcionamento da estrutura escolar, seja em outra escola ou espaço alugado. Quando não há prédios disponíveis, como é o caso das duas escolas em questão, alterna-se os espaços reformados de modo que os alunos permaneçam no prédio e as aulas prossigam.

Ainda de acordo com a SEE, a Escola Estadual de Ensino Fundamental Epitácio Pessoa ficou sem aula durante duas semanas, e conta com calendário especial prevendo a reposição de atividades. O mesmo acontece com a escola Claudina Mangueira de Moura, que parou as atividades no dia 20 deste mês e retoma dia 3 de setembro, pois já estará com condições de funcionamento no bloco reformado. A SEE não informou, entretanto, por que a reforma da escola Claudina Magueira de Moura, de menor porte, não foi realizada durante as férias escolares, e também não comentou os problemas citados pelos pais na escola Epitácio Pessoa.

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