quinta, 06 de maio de 2021

Educação
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Apagão no ensino: 43% dos professores vão se aposentar em dez anos

Bruna Viera / 15 de outubro de 2015
Foto: Nalva Figueiredo
A Paraíba tem quase 50 mil professores lecionando na educação básica. Eles estão de parabéns e não é só porque hoje é o Dia do Professor, mas porque muitos fazem milagres e se superam todos os dias para ensinar. A profissão está cada vez menos procurada pelas razões já conhecidas e pode piorar: um estudo realizado pelo MEC mostra que 43% dos professores do ensino médio devem se aposentar nos próximos dez anos. A falta de atrativo na profissão e a aposentadoria dos docentes preocupam gestores e profissionais e, se nada for feito, a previsão é de ‘apagão no ensino’.

A pesquisa foi realizada pela Secretaria de Educação Superior e concluiu que a carência de profissionais é causada não pela falta de profissionais formados, mas a falta de atratividade da carreira docente e o peso das aposentadorias nos próximos anos.

“Quando chega o tempo, tem que parar”

Manoel Lopes Brasileiro é professor de português há 34 anos. Ainda não se aposentou porque não completou a idade, 55 anos. “Em janeiro deixo a sala. Estou animado, quando chega o tempo, tem que parar. Se a condição salarial fosse boa, ficaria. Mas a geração muda, o alunado não respeita. Hoje tem tudo e o aluno não quer nada, antes não tinha livro, tablet, computador, era lousa e cadeira de pau e o aluno respeitava e progredia”, falou.

“O pior é a indisciplina, o aluno traz problemas familiares, o papel da escola não é resolver. Além de lecionar, o professor tem que lidar com essas situações, mas não foi preparado para isso, não é psicólogo. Hoje é muito estressante, há desconfortos com os alunos, de 50, dois querem estudar. O dia-a-dia desmotiva e entristece”, revelou.

Para Brasileiro, falta ação do poder público. “Falta vontade de pessoa que saiba gerenciar. Não tem governo, nem secretaria de educação. O aluno entra jogado. Não tem banca para substituir os que se aposentam. Diariamente, há aulas vagas e o aluno não espera pela última aula. As consequências são os problemas sociais. Os pais querem ficar livres dos filhos e mandam para a escola”, declarou.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba.

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