quinta, 03 de dezembro de 2020

Educação
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Choro inevitável no primeiro dia de escola

Aline Martins / 24 de janeiro de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
O ano letivo 2016 para algumas escolas da rede privada de ensino na Paraíba tem início amanhã. Para muitos alunos será a primeira vez que terá o contato com a escola. Alguns vão aceitar de forma rápida ao ver brinquedos e outras crianças. Outros devem demorar um pouco mais para poder se adaptar a “novidade”. O choro, principalmente para os pequenos, é inevitável e aceitável de acordo com especialistas em educação, mas eles destacam a importância de pais e educadores ajudarem no processo de adaptação. Mesmo os estudantes maiores, os adolescentes, por exemplo, que mudaram de escola, também deve ser realizado um trabalho de inserção sem traumas.

Nesta segunda-feira será o primeiro dia de aula de Benício Martins dos Santos, de 2 anos e 7 meses. A mãe dele, Andrea Martins, 33 anos, acredita que colocá-lo mais cedo na escola facilita o aprendizado e a interação com outras crianças, principalmente porque ele é filho único e fica a maior parte na companhia de adultos. Ela também trabalha e essa é uma oportunidade de deixá-lo em um local onde possa aprender tanto a metodologia pedagógica, quanto trocar conhecimentos com os colegas. Benício já tem um convívio no ensino infantil, pois já passou pouco mais de um ano em uma creche.

Andrea Martins acredita que o filho chore no primeiro dia de aula porque na creche chorava sempre e vai precisar de um tempo para se acostumar com a novidade. O colégio foi escolhido com a ajuda da auxiliar de cozinha, Jossandra Nascimento, 28 anos, que também terá um desafio amanhã, que será deixar o filho Yohanan Nascimento Chagas, 2 anos e 5 meses, na escola pela primeira vez. Elas colocaram os filhos na mesma escola por já ter referências de pais que deixaram os filhos no estabelecimento.

Diferentemente de Benício, o filho de Jossandra Nascimento não passou por uma creche, apenas o contato com outras crianças na igreja que frequenta, mas ela acredita que ele não deva chorar no primeiro dia de aula. “Em uma das escolas que a gente visitou, ele mandou eu ir embora quando viu os brinquedos”, afirmou. Ela ouviu outros pais antes de matricular e confia no trabalho da escola que tem 21 anos de história. Na semana passada, antes do início das aulas, as duas crianças foram conhecer de perto o ambiente que passam a integrar a partir de amanhã. Eles brincaram juntos com suas mães com os brinquedos educativos.

É preciso entender a criança

A inserção a vida escolar é algo que deve acontecer naturalmente na vida da criança, segundo informou a psicopedagoga clínica e institucional Jaciara Dantas. No entanto, destacou que é necessário entender que a criança irá vivenciar na escola inúmeras situações diferentes do seu ambiente familiar e por isso devem estar preparada previamente.

Essa preparação deve se pautar em conversas com a criança sobre esse novo espaço, apresentação de exemplos de vivência escolar utilizando histórias ou filmes infantis, levar a criança para conhecer a escola que se pretende matricular, e a partir disso ficar atento aos questionamentos e curiosidades que a criança demonstrar buscando sempre responder de forma curta, objetiva e empolgante.

Segundo Jaciara Dantas, na primeira vez na escola é comum a desconfiança, a insegurança, a resistência e choro excessivo. “Embora a criança já tenha conhecido o espaço, seu pensamento é concreto: Quem são essas pessoas?, Aqui é seguro?, Vou ficar longe da mamãe muito tempo?”, afirmou.

A especialista destacou que a primeira semana de aula é uma nova experiência e é preciso ficar atento a resposta comportamental que a criança apresentará. No momento da inserção escolar ou mudança de escola, toda a equipe de funcionários (precisa estar capacitada para o momento de adaptação dos novos alunos.

Valéria Tais Fragoso Ferreira, pedagoga, especialista em psicologia, pós-graduação em psicopedagogia e diretora da escola ponde Benício e Yohonan vão estudar, comentou que, quando os pais procuram a unidade de ensino pergunta os motivos de ter escolhido a escola e se estão preparados para deixar a criança na escola. “Eu pergunto se eles conhecem alguém que estuda aqui porque o primeiro contato nosso a gente prima muito pela questão da confiança. Então, 90% dos nossos alunos foi indicação de alguém. Então já é uma coisa positiva porque tem a questão da confiança”, frisou.

Ainda de acordo com ela, as professoras da educação infantil sabem que nesse momento de adaptação é muito difícil, mas que não tirem a criança dos braços dos pais. Os pais ficam na sala, mas as educadoras esperem os pais entregarem as crianças porque aí vai criar um vínculo de confiança. Se a mãe está entregando é porque ela sabe que não vai fazer mal. Então, os pais estando preparados, outra coisa é conhecer a escola, conhecer a equipe e informações da escola e também saber o que querem da escola.

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