quinta, 01 de outubro de 2020

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Doentes podem ter tripla infecção: dengue, zika e chikungunya, ao mesmo tempo

Bruna Vieira / 27 de maio de 2016
Foto: DIVULGAÇÃO
Febre acima de 39 graus, de início repentino, e dores intensas nas articulações de pés e mãos (dedos, tornozelos e pulsos)... Pode ser chikungunya. Mas, também pode ser dengue ou as duas juntas e, quem sabe, até com uma ‘pitada de zika’. A tripla infecção é possível e já foi relatada cientificamente. Na Paraíba, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) confirmou um paciente com duas das doenças, ao mesmo tempo. Mas pode haver outros casos.

Uma grande parcela dos doentes não procura os serviços de saúde. A descrença e a espera nos serviços de saúde fazem com que muitos doentes se automediquem, gerando uma subnotificação nas estatísticas.

Começou com uma dor na coluna e o aposentado José Malaquias, 70, já está há 20 dias com sintomas de chikungunya. “Passou a doer os dedos, a munheca, os pés inchando, a coceira, estou todo manchado. E ainda não passou. Se eu for ao médico ele vai passar dipirona e eu sou alérgico. Não vou nem lá. Tomo paracetamol e chá de romã, porque estourou toda minha língua. Vou atrás de médico para quê? Vai resolver nada”, relatou.

A dona de casa Lúcia Meireles também optou por não procurar o médico. “Passei uma semana com dor no corpo, principalmente nas articulações, joelhos e braços. Os dedos das mãos e do pé, moleza, febre, falta de apetite e a língua cortada. Depois de cinco dias apareceu umas manchinhas e coceira. Fui até o posto. A agente de saúde me orientou a tomar muito líquido, dipirona e repouso. Não falou para eu ir ao médico”, declarou.

Subnotificação. Daniel Batista, gerente da Vigilância Epidemiológica de João Pessoa explicou que esse comportamento atrapalha a execução de políticas públicas. “Algumas pessoas não procuram o médico e pode acontecer de os próprios profissionais que atendem não informarem à secretaria. Isso gera uma subnotificação e os casos não entram nas estatísticas. São através delas, que as áreas com maior número de casos são identificadas e as intervenções planejadas. Ajudam também a entender os principais sintomas e diferenciar os agravos. Dessa forma, podemos qualificar o atendimento profissional, trabalhando o manejo clínico, que é a conduta médica frente aos casos”, afirmou.

O período correto para a coleta de material para exame é a partir do 8º dia para dengue e chikungunya. Para zika, até o 5º dia (só é feita em gestante de recém-nascido). “Quanto antes notificar, mais rápido é a ação”disse Daniel Batista.

Não há testes suficientes

Um caso de dupla infecção por dengue e chikungunya foi identificado na Paraíba. Para a gerente operacional de vigilância epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde, Izabel Sarmento, isso não não significa agravo da doença. “A resposta imunológica do paciente é que determina se pode agravar ou não se tiver duas. O paciente respondeu bem, foi tratado e já recebeu alta. Não há interação medicamentosa porque o tratamento é o mesmo. Isso pode estar acontecendo e a gente nem saber. Do 8º ao 15º dia não se faz mais coleta para chikungunya, porque não se identifica mais o vírus. O tempo de cada vírus para o exame é diferente e atrapalha  diagnóstico”.

Segundo Izabel, o Lacen faz o exame para dengue, em caso negativo, é feito para chikungunya e, com mais uma negativa, pode ser encerrado em zika, já que a produção dos kits não é suficiente a demanda.

“Por isso é importante observar os sintomas. Dor nas articulações e febre é suspeita das três doenças. Edema e febre alta é mais para chikungunya. A zika traz vermelhidão e prurido nos olhos nos três primeiros dias”, explicou.

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