segunda, 19 de agosto de 2019
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Cuidado com engasgos: Hospital de Trauma atendeu mais de 3,3 mil vítimas

Lucilene Meireles / 27 de junho de 2018
Foto: Ilustração
Quando viu a filha Larissa, de 4 anos, tossindo, sem causa aparente, a professora Meire Santos logo desconfiou do que poderia ser. Ao questionar a menina, ela assentiu que havia ingerido uma moeda, sem conseguir falar. A criança foi levada às pressas para o serviço de saúde, onde o objeto foi retirado da traquéia, por endoscopia. Casos de engasgo por ingestão de algum objeto estranho ou inseridos no nariz ou ouvido, por exemplo, são mais frequentes do que se imagina. Só este ano, o Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, atendeu, em média, 20 casos por dia, entre crianças e adultos. No ano passado, foram quase 7 mil atendimentos. Em Campina Grande, são 83 desde o início do ano.

Lucineide Braga de França, técnica de enfermagem do setor de endoscopia, no Hospital Regional de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande, relatou ter visto casos que chamaram a atenção.

“Uma pessoa com transtornos mentais engoliu dois pentes e um isqueiro. Outro caso foi de um idoso que engoliu a dentadura duas vezes. Na primeira, retiramos e devolvemos a ele. Na segunda, recomendamos que fizesse uma nova, pois quando o paciente emagrece a prótese fica folgada”, relatou.

Há quase duas décadas atuando no hospital, ela lembrou que não é comum ocorrer óbito nessas situações.

“Tivemos o caso de uma criança ir para a UTI, acabou entubada, mas sobreviveu. Outra, ficou com a tampinha menor da caneta na boca. O objeto foi para as vias aéreas e não houve tempo de salvar. Por isso, uma das recomendações é ficar de olho em crianças, para que não coloquem objetos na própria boca e na de algum bebê”, lembrou.

Principais vítimas. As crianças com idade entre seis meses e três anos são as principais vítimas de engasgos por engolir algum objeto estranho. De acordo com o otorrinolaringologista Islan da Penha Nascimento, isso acontece porque elas ainda não têm a noção de controle. “Nos adultos, é mais comum em pessoas com alterações neurológicas, que podem ter dificuldade de deglutir. Na hora de se alimentar, o alimento, ao invés de ir para esôfago, vai para a laringe”, explicou.

Nas crianças, os principais objetos que provocam engasgo são amendoim, pitomba, balas. “Tem também a tampa de caneta, mas hoje essa tampa vem com uma abertura porque, se cair na traqueia, a pessoa continua respirando. No adulto, às vezes está se alimentando, a carne escorrega e acontece de se engasgar”, disse.

Geralmente, os engasgos são causados por objetos de forma esférica e paredes lisas. Há casos também de se engolir um osso de galinha e a ponta fixar no esôfago, faringe, ou laringe. Em algumas situações, o osso é retirado no consultório médico, mas em outras, o paciente tem que ir para cirurgia num hospital.

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