sexta, 18 de agosto de 2017
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Crendice se espalha e leva pessoas a tomarem querosene contra doenças do Aedes

Renata Fabrício / 17 de março de 2016
Foto: Arquivo
Uma nova crendice popular tem se espalhado por cidades do Cariri do Estado, e causado preocupação para a saúde pública. Pessoas que já foram acometidas com sintomas da chikungunya têm ingerido água com gotas de querosene com a esperança de que a mistura cure a dor. Em dezembro, as notificações de zika, dengue e chikungunya na cidade de Monteiro, onde a “receita” circula somaram 1800 casos, e em janeiro e fevereiro somaram 297.

O jornalista Fred Menezes conhece um professor de 70 anos, da cidade de Monteiro, que diz ter feito uso da mistura. “Tem mais ou menos um mês que me disseram que uma mulher tomou um dedo de querosene puro, para curar sintomas da chikungunya. Hoje soube que um professor que conheço, de mais de 70 anos, estava sem se aguentar de dores nas articulações e tomou um copo de água americano com 5 gotas de querosene. Ele diz que está novo como um menino. Já se falam em cinco pessoas que tomaram essa mistura pra que as dores parassem”, contou.

As informações da suposta cura das dores crônicas têm se espalhado pela cidade, e mesmo sem a Secretaria de Saúde do município ter tomado conhecimento, os casos já se tornaram preocupação. A infectologista Priscila de Sá se espantou com os relatos da “receita” e disse que qualquer tipo de automedicação é contraindicada para casos de chikungunya. “Isso é completamente contraindicado. Não pode se automedicar, nem com dengue, nem com zika, menos ainda com chikungunya. Esta, em específico, tem três fases. Os sete primeiros dias são de febre alta e dor articular. As vezes essa dor melhora, e às vezes ela piora. Tem gente que fica três meses com dor, outras chegam a ficar por seis meses. A orientação é procurar um infectologista e um reumatologista para tratar as dores crônicas, porque existem protocolos de medicamentos para serem usados em cada fase da doença”, explicou.

Sobre a receita, ela alerta que há risco de intoxicação. “É algo muito perigoso, com risco até de intoxicação. Essa mistura não deve ser dada nem a adultos, muito menos para crianças.

Como ainda não há um tratamento específico para chikungunya, o Ministério da Saúde recomenda que os sintomas sejam tratados com: Paracetamol – para febre, antinflamatórios – para dores articulares .

Não se recomenda o uso do ácido acetil salicílico (AAS), por causa do risco de hemorragia.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba.

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