domingo, 07 de março de 2021

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Comerciantes e moradores de JP reclamam do perigo de imóveis vazios

Aline Martins / 17 de junho de 2017
Foto: Assuero Lima
“Espaço vazio. Amor vadio”. Essa é uma frase escrita em um dos diversos imóveis abandonados na área central e bairros adjacentes em João Pessoa. O abandono tem provocado medo em comerciantes e moradores dessas localidades, pois segundo eles, alguns espaços estão servindo de ponto de drogas e esconderijo para outros atos criminosos. Também contaram à reportagem que diversos estabelecimentos e residências já foram alvos de roubos. Há quase duas semanas, uma empresa de software que fica na Rua João Amorim, no Centro, foi arrombada e teve vários equipamentos eletrônicos levados. Nessa rua há duas casas abandonadas, sendo que uma delas foi ocupada por sem tetos. Conforme o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep), 30 proprietários no Estado foram acionados na Justiça para recuperar os imóveis.

Na Avenida Almeida Barreto, por trás do Mercado Central, a reportagem flagrou diversas pessoas entrando e saindo de uma casa abandonada. Ela está com portas e portões arrancados, assim como partes da estrutura. “A gente já denunciou várias vezes esse problema, mas ninguém fez nada. Já mataram gente. Toda hora é um entra e sai de pessoas atrás de drogas e a noite piora. Tem umas quatro mulheres grávidas que vivem direto nessa casa. Todo mundo sabe que é o local é ponto de drogas, mas não fazem nada para mudar. Várias lojas aqui já foram arrombadas”, relatou um vendedor da área que preferiu não se identificar.

A poucos metros desse local, na Rua João Amorim, a situação não é muito diferente. Existem duas casas abandonadas, sendo que uma delas há pessoas sem teto morando, inclusive ontem estavam com roupas lavadas no varal. A reportagem tentou falar com os moradores, mas não conseguiu. Enquanto na outra, segundo os moradores, servem apenas para atos criminosos. “A gente vê direto esse povo entrando e saindo dessa casa abandonada com o que tem de coisas que possam vender para comprar drogas. É um absurdo. Ninguém faz nada e nós comerciantes ficamos a mercê disso”, contou o proprietário de uma loja que preferiu não se identificar.

Já na Rua das Trincheiras, onde no início da fundação da Capital moravam as elites, também há imóveis abandonados. Um deles está com a frase escrita na parede: “Espaço vazio. Amor vadio”. A preocupação dos moradores da área é o espaço servindo para o tráfico de drogas. “Além das rachaduras, ainda tem a questão dos vândalos usando o local para ponto de drogas. Estava até cheio de mato, mas eu soube que vieram algumas pessoas e limparam o terreno. Ultimamente era bem caótico mesmo, mas deu uma melhorada, mas a gente ainda vive nessa situação de insegurança”, comentou um dos moradores, Antônio Julião Martins. Uma das residências abandonadas funcionou como uma delegacia de Polícia Civil. Outra, que fica no cruzamento com a Rua Matteo Zacara, já foi palco de homicídios. Ele pertence ao Governo do Estado e foi comprado em 1960, no governo de Pedro Gondim.

Proprietários. Cassandra Figueiredo, diretora-executiva do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep), informou que 30 proprietários de imóveis particulares na Paraíba foram acionados judicialmente para tomem providências em relação à recuperação de suas propriedades. Já em relação aos imóveis que competem ao poder estadual ela contou que fez um levantamento dos imóveis e encaminhou para as secretarias responsáveis para que façam o orçamento da reforma das residências. Já sobre as propriedades municipais também contou que a Prefeitura já foi informada sobre o abandono.

Já o coordenador da Coordenadoria do Patrimônio Cultural de João Pessoa (Copac), Ruy Leitão, não sabia da existência do levantamento do Iphaep sobre imóveis abandonados, citando também a Capital. Disse que a Copac entraria em contato com a instituição para saber quais pertencem ao município e quais aos particulares. “Alguns são do município e outros são imóveis privados. Vamos convocar os proprietários e analisar cada caso, cada imóvel”, destacou.

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