quinta, 19 de setembro de 2019
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Comerciantes e frequentadores da orla de JP denunciam infestação de ratos

Ainoã Geminiano / 07 de março de 2019
Foto: Assuero Lima
Comerciantes e usuários do calçadão da orla de João Pessoa estão assustados com a infestação de ratos, que começou a ser percebida no final do ano passado. A invasão de roedores está sendo considerada a maior das últimas décadas, na percepção de quem trabalha na praia há mais tempo. Em alguns trechos, comerciantes estão fazendo ‘vaquinha’ para comprar veneno e tentar conter a praga. Há relatos de clientes que estão deixando de frequentar os quiosques, com medo de serem infectados com doenças. A direção do Centro de Zoonoses do município informou que espera o fim das chuvas de Verão para fazer o combate.

Luiz Carlos Timóteo é comerciante e trabalha na praia de Tambaú há 30 anos. Ele disse nunca ter visto uma infestação de ratos tão grande na região. “Começamos a perceber isso em novembro do ano passado. É tanto rato que eles correm até na ciclovia, sem fugir das pessoas. Esperamos pela Prefeitura, mas ninguém apareceu aqui para aplicar veneno e eu vi que isso estava afetando nosso movimento. Daí comecei a comprar veneno e dividir com os colegas vizinhos. Eu mesmo apliquei em toda essa ilha de quiosques e deu uma diminuída por aqui. Mas o restante da orla está infestada”, contou.

Rômulo Costa tem um quiosque na divisa entre as praias de Cabo Branco e Tambaú e está preocupado com os ratos. “Eu agora tenho uma tarefa extra no início do expediente. Estou chegando mais cedo para fazer a limpeza das fezes e urina dos ratos que ficam espalhadas em volta do quiosque”, reclamou.

A aposentada Natércia Neves Ribeiro tem o hábito de caminhar no calçadão pela manhã e frequentar os quiosques à noite, mas está mudando a rotina. “É assustador você estar caminhando e vendo esses bichos enormes atravessando a calçada. Tem uns que parecem uns gatos de tão grandes. E eu estou ficando com mendo de vir comer por aqui, pois nunca se sabe por onde os ratos passaram. E se passaram pelas comidas?”, questionou.

Risco é real. Para a veterinária Valéria Rocha Cavalcanti, com uma infestação de ratos desse porte, o risco de pessoas serem infectadas é alto. “O agravante do risco é que o rato anda muito e é imprevisível aonde pode chegar, podendo ter contato com os alimentos que serão consumidos pelas pessoas. A contaminação de humanos acontece pela ingestão de vestígios de fezes ou urina nos alimentos e na água. Também acontece pelo contado das fezes ou urinas dos ratos com mucosas, da boca por exemplo, e com ferimentos abertos, que levem os microrganismos para a corrente sanguínea”, explicou.

Os dois perigos a que as pessoas estão expostas são a Leptospirose, causada pela ingestão ou contato do sangue com fezes ou urinas dos ratos, e a Salmonelose, provocada pela ingestão acidental do pelo do rato, através de algum alimento. “As duas doenças são tratáveis, porém, como em todas as patologias, há os grupos de risco, como crianças menores de cinco anos, idosos e pessoas imunossuprimidas, que podem desenvolver complicações e morrer. Qualquer que seja a situação, caso o indivíduo perceba que tenha ingerido algo suspeito deve procurar de imediato o serviço de saúde. O clínico geral saberá proceder e encaminhar para o médico especialista, se for o caso”, acrescentou Valéria Rocha.

A médica ainda chamou a atenção para os sinais de que os ratos passaram pelo ambiente, que ajudam na prevenção de contaminações. “Como roedores que são, os ratos comem muito, seja por terem um metabolismo acelerado e sentir fome rapidamente, seja pela necessidade de exercitar os dentes. Com isso eles defecam com muita frequência e urinam muito. Por isso, onde eles andam deixam fezes ou urina, o que serve como sinal para os humanos dos locais visitados por eles, para que seja feita a limpeza antes de consumir qualquer coisa que possa estar contaminada”, finalizou.

Praga de Verão



O diretor do Centro de Zoonoses do município, Nilton Guedes, disse estar ciente da infestação de ratos, desde que ela começou. Segundo ele, a praga acompanha o Verão, período em que aumenta a frequência de pessoas na orla. “Primeiro tivemos a chuva que inundou o habitat dos ratos e fez eles fugiram para as ruas. Na orla, eles encontram lixo e restos de comida deixados pelas pessoas, se reproduzem e chegamos a essa situação. Nós estamos esperando encerrar esse período de chuvas para fazer a aplicação do veneno em toda a região. Temos três tipos para usar, de acordo com o ambiente: o bloco parafinado, fixado perto das tocas; o pó de contato, que gruda no corpo, e o em forma de sementes”, disse. Nilton também reforçou o apelo para que as pessoas não deixem restos de comida na praia. “Nós vamos fazer o combate, mas isso só não basta. Precisamos que as pessoas entendam que jogar restos no chão, até mesmo os cocos depois de tomar a água, atrai os ratos e faz a população de roedores crescer”. AG

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