terça, 19 de janeiro de 2021

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Chuva deixa rastro ruim no Litoral e renova esperança no Sertão da Paraíba

Lucilene Meireles Com assessorias / 19 de abril de 2016
Foto: Manoel Pires
As fortes chuvas que caíram na Região Metropolitana de João Pessoa no final de semana deram uma trégua ontem, mas deixaram um rastro de destruição. Várias áreas no litoral ficaram ilhadas. A chuva, porém, não trouxe só problemas. Dois açudes sangraram – Marés, que abastece a Capital, e Jangada, no município de Mamanguape.

O chefe do setor de Previsão do Tempo do Inmet, Ednaldo Araújo, disse que choveu nesse final de sema 23% mais do que as médias do mês, em JP e Cabedelo.

As chuvas, conforme a meteorologista Carmem Becker, da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), são típicas do período chuvoso no Litoral, Agreste e Brejo e foram causadas por um distúrbio ondulatório de Leste. “É uma formação de nuvens no Oceano Atlântico, trazida pelos ventos, para a costa do Litoral, desde o Rio Grande do Norte até Alagoas”. Ela acrescentou que costuma acontecer com mais frequência entre maio e julho. “Este ano, chamou a atenção porque veio mais cedo”.

Enchente. Na Comunidade Tito Silva, entre os bairros de Miramar e Castelo Branco, várias casas ficaram alagadas com o aumento do volume do Rio Jaguaribe. A dona de casa Marilene Ribeiro da Silva estava desolada. “Desde cedo estou limpando e não sei como vai ser se voltar a chover”.

A vizinha, Paula Francinete dos Santos, lembrou que há três anos não havia alagamento. Pela manhã, a Prefeitura estava realizando a limpeza do rio. Uma equipe da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) foi ao local para fazer um levantamento da situação dos moradores. Na Tito Silva, alguns moradores estão abrigados na associação do bairro.

Ilhados. Vinte e cinco famílias do bairro São José tiveram que sair de casa e estão no ginásio de esportes da Escola Municipal Nazinha Barbosa, em Manaíra. A dona de casa Suênia Félix contou que a água atingiu um metro dentro de casa. “Estou sem chão”. O coordenador do Centro de Referência ao Cidadão, Eduardo Bezerra, disse que não chover mais, as famílias devem retornar hoje para casa. A aposentada Ana Maria da Silva não deixou a casa, mas passou a manhã retirando água. Os móveis estão sobre tijolos. “Meu sonho é que o projeto da Prefeitura saia do papel”.

Escaparam. Outras sete famílias que viviam numa vila, no bairro de Mandacaru, tiveram que deixar as casas por conta do desabamento do muro de uma casa de show, na madrugada do sábado. Ontem, todos estavam sendo relocados para outros imóveis no bairro. A técnica em enfermagem Ana Carolina Batista disse que o proprietário do terreno ressarciu cada família, inclusive pagando o primeiro aluguel da nova casa. “Ele está dando toda a assistência. Estamos satisfeitos”, declarou.

Prédio tomba. Um imóvel tombado na Rua da Areia, em João Pessoa, tombou parcialmente, na tarde de domingo. “Foi um barulho enorme, mas isso estava para acontecer. Em junho passado, caiu uma parte. Um mês depois, caiu novamente. Agora, foi isso, mas deve desabar tudo a qualquer hora”, disse Viviane Gomes, comerciante.

Foi liberada na manhã de ontem a parte esquerda da pista da Rua Padre Azevedo, no Centro da Capital, que foi interditada após o estouro da pavimentação provocado pela sobrecarga de uma galeria pluvial. A outra via deve ser aberta hoje.

Santa Rita

Desde sábado, a população de Santa Rita está sem água. De acordo com os moradores da cidade, a informação que a Cagepa repassou é que entrou água no reservatório. O problema, conforme os moradores, é que a situação se repete toda vez que há chuva intensa.

Cabedelo

A cidade portuária também sofreu com a chuva. A Prefeitura de Cabedelo informou que presta assistência aos moradores atingidos, em dois pontos de apoio nos Ginásios do Renascer II e de Oceania (por trás da Vitrum), além de intensificar serviços de limpeza.

Campina

Em Campina Grande, a Defesa Civil não havia registrado danos graves. O coordenador do órgão, Ruiter Sansão, destacou o trabalho de prevenção e limpeza de canais e córregos como prevenção. A chuva na cidade foi em menor proporção que a do litoral: 40 mm.

 

 

 

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