sexta, 18 de agosto de 2017
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Chikungunya já matou três este ano na Paraíba; anúncio foi feito pelo Trauma

Fernanda Figueirêdo / 15 de março de 2016
Foto: Chico Martins
Três mortes por chikungunya foram confirmadas, na manhã de ontem, pelo Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande. Um mês após os óbitos e pouco dias depois das primeiras confirmações de casos da doença no Estado, o Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB) apresentou os resultados dos exames nas vítimas fatais. O setor de infectologia do hospital ressalta que as políticas públicas do Estado e o controle epidemiológico dos municípios não estão surtindo efeito contra o mosquito. Mais sete pacientes estão no hospital com suspeita da doença, três em estado grave.

Outra preocupação é que as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, seja dengue, zika vírus ou chikungunya, estão se tornando cada vez mais crônicas. “Temos pacientes que apresentaram sintomas das doenças até seis meses após o início deles. Em um primeiro momento não há como saber qual das três doenças acomete o paciente, porque os sintomas são muito parecidos. Nós realizamos os exames, que consiste em análise de sangue, urina e o líquor, que é o liquido da coluna, mas os resultados podem demorar 15 dias ou até mais de um mês para serem liberados”, disse o coordenador do Núcleo de Vigilância Epidemiológica do hospital.

Dânio explicou ainda que os exames são enviados para o Lacen, que primeiro testa a sorologia para dengue e, em seguida, para chikungunya. Sendo descartadas estas doenças, o material é enviado para um laboratório no Pará para testá-lo para presença de zika. “O PCR é mais caro, mais trabalhoso e não é realizado no Estado. Por isso temos muitos casos dessas doenças, mas poucos confirmados”, afirmou Dânio.

Sintomas atípicos. A médica infectologista do Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande, Priscilla Sá, ressaltou que os pacientes que morreram apresentavam manifestações clínicas atípicas, ou seja, diferentes dos sintomas normalmente mencionados para chikungunya, que são febre acima de 39 graus, de início repentino, e dores intensas nas articulações de pés e mãos – dedos, tornozelos e pulsos. Pode ocorrer, também, dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele.

“O menino mesmo deu entrada no hospital no dia 18 de janeiro e passou 17 dias internado em estado grave. Ele tinha acometimento neurológico severo, chegou tendo muitas crises convulsivas e até parada cardíaca. A senhora de 51 anos apresentava fraqueza muscular que atingiu o sistema respiratório, foi um quadro bem diferente dos demais, e o homem de 65 anos tinha desorientação e acometimento do sistema nervoso central. Esse acometimento de outros sistemas ainda está sendo investigado. Há a suspeita, mas precisamos provar” informou a médica.

Guillain-Barré. Dos 14 casos pacientes com suspeita de síndrome de Guillain-barré atendidos este ano no Hospital de Trauma de Campina, dois tiveram sorologia positiva para chikungunya, dois foram descartados e 10 aguardam confirmação. Três deles morreram.

De acordo com a infectologista do hospital, este ano já foram registrados 43 suspeitos de dengue, zika ou chikungunya na unidade. “O número de pacientes vítimas desse mosquito está aumentando cada vez mais. Precisamos agir”, orientou a médica Priscilla Sá. Ela lembrou que Campina registrou também uma suspeita de H1N1 que está no Hospital Antônio Targino.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba.

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