terça, 25 de junho de 2019
Cidades
Compartilhar:

Casos de negligência com idosos crescem na Paraíba; Queimadas lidera ranking

Beto Pessoa / 05 de janeiro de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
A negligência segue como a principal violência contra a pessoa idosa, segundo dados da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (SEDH), repassados pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas). Foram 658 ocorrências deste tipo entre janeiro e outubro do ano passado, correspondente a 45% de todas as violações registradas (1.465 ). As cidades com maiores números de ocorrências foram Queimadas, Campina Grande e João Pessoa.

A gerente executiva de assistência social da SEDH, Patrícia Oliveira, explica como se caracterizam estas violências, que têm fortes efeitos psicológicos sobre as vítimas. “A negligência se configura quando a atividade diária do idoso deixa de seguir um padrão de normalidade, quando ele tem esse direito interrompido, é tratado como algo velho, inválido, descartável”, disse.

Esta ótica, disse a representante da SEDH, é mais comum do que se imagina. “Infelizmente é uma questão cultural ainda forte no nosso país. O idoso é tratado como algo que já não tem utilidade e acaba sendo colocado nesse local a margem. É importante falar que a negligência é quase sempre acompanhada de outras violências”, explicou Patrícia Oliveira.

A titular da Delegacia Especializada de Atendimento às Pessoas Idosas, Vera Lúcia Soares, também constata a afirmação. “Muitas vezes a negligência está atrelada a outras ocorrências, como maus-tratos e Lei Maria da Penha, que quando a mulher passa dos 60 anos também é atendida aqui na delegacia”, disse.

Deixada em rodovia

Em meio a estas violências cotidianas, muitas vezes a melhor solução é se afastar. Foi o caso de uma idosa de 87 anos, que chamaremos de dona Maria. Depois da morte do marido, ela viveu 11 anos sozinha, até que seu enteado resolveu levá-la para viver com ele e sua esposa. No local, no lugar de afeto e cuidado, encontrou negligência e maus-tratos. “Eles me levaram para morar com eles, contra minha vontade, dizendo que era para eu não ficar só. Lá, não cuidavam de mim, só queriam receber minha aposentadoria. Passaram a me bater todos os dias. Me bateram tanto nos olhos que eu fiquei cega”, explicou dona Maria.

Após seis meses de constante violência física e psicológica, o enteado e a esposa largaram a aposentada numa rodovia, tarde da noite. “Eles me drogaram e me jogaram na BR. Graças a Deus me acharam e me trouxeram para esse hospital”, disse. Dona Maria hoje faz parte dos 65 idosos moradores da Vila Vicentina Júlia Freire.

Relacionadas