domingo, 28 de fevereiro de 2021

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Casarões da Villa Sanhauá irão virar unidades habitacionais; obras já começaram

Beto Pessoa / 13 de julho de 2017
Foto: Assuero Lima
As obras da Villa Sanhauá foram autorizadas ontem pela Prefeitura Municipal de João Pessoa, em solenidade realizada no Hotel Globo. A previsão é que em um ano a Rua João Suassuna ganhe 17 unidades habitacionais e seis comerciais, após requalificação dos oito casarões históricos que ficam próximos à comunidade do Porto do Capim, no Varadouro. Um edital com a convocação das pessoas selecionadas para morar na área na edição do projeto anterior, que não foi executado, bem como a abertura para novos candidatos está em fase de elaboração pela Secretaria Municipal de Habitação (Semhab).

Em 2015, o projeto de revitalização dos casarões tinha selecionado 17 pessoas. Contudo, segundo o secretário adjunto de Habitação do município, André Coelho, os recursos para a execução da obra, que viriam do governo federal, foram suspensos. “Tivemos esse contingenciamento de gastos, na época, por isso o projeto não foi adiante. Mas, agora, o projeto está sendo executado com recursos próprios e nesse prazo estimado de um ano. As pessoas que estavam selecionadas anteriormente serão convocadas, por meio de edital, e vamos ver com a Procuradoria do Município se essas pessoas ainda se enquadram nessa seleção”, acrescentou o secretário. Serão investidos cerca de R$ 4,2 milhões, que devem movimentar uma região há muito tempo esquecida pelas administrações passadas, destacou o prefeito Luciano Cartaxo. “Estamos tirando do papel uma promessa de 14 anos atrás, fazendo aquilo que sempre foi prometido e nunca feito. Para isso precisamos trazer pessoas para morarem nessa região”, disse. Luciano Cartaxo lembrou outros investimentos que prometem dar nova ambiência a antigos equipamentos públicos da cidade, a exemplo do Parque Sólon de Lucena, Praça João Pessoa, Praça da Independência, Hotel Globo, Praça 1817, Galeria Augusto dos Anjos e Conventinho.

A secretaria da Semhab, Socorro Gadelha, explicou a importância de trazer a população para a região histórica da cidade. “Nós nascemos no rio Sanhauá e esta é uma obra para revitalização do nosso Centro Histórico. É o primeiro do Brasil a ter imóvel misto, residencial e comercial. Porque precisamos trazer gente, se não trouxer gente não se revitaliza”, disse. De acordo com a secretária a seleção dos futuros moradores, dará prioridade as pessoas que compõem a cena artística do Centro Histórico. “Vamos fazer uma avaliação daqueles que querem morar e revitalizar o Centro, com prioridade a artistas e arquitetos, por exemplo, para compor a cena cultural da cidade. Esta é uma dívida de outras administrações que há 14 anos não revitalizam nosso centro da cidade”, explicou Socorro Gadelha.

Equipamento diferenciado

Secretária do Instituto dos Arquitetos do Brasil na Paraíba (IAB-PB), Raíssa Monteiro acredita que a Villa Sanhauá pode ser um equipamento importante para mudar o atual cenário de abandono do Centro de João Pessoa. “É um projeto de reativação do uso habitacional do Centro da cidade, espaços que estão em processo de abandono em diversas cidades”. Outro diferencial do Villa Sanhauá é que seu uso misto vai permitir maior socialização e uso dos espaços comerciais no Centro. “Além do aspecto da restauração do patrimônio e recuperação das ruínas, as unidades comerciais dos casarões serão destinadas a farmácia, café, padaria, ou seja, vão dar suporte as pessoas que moram ali, já que um problema de quem mora no Centro é encontrar esses estabelecimentos por perto após o horário comercial”, disse a arquiteta e urbanista. Raíssa Monteiro é coautora do projeto e explicou como foram concebidas as unidades habitacionais: será utilizada a casca dos casarões e implantados apartamentos com jardim interno e uma passarela, que irá conectar todos os vizinhos. Todas as oito casas que foram readaptadas estão conectadas por um corredor interno que serve também para ventilação e iluminação dos apartamentos

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