quinta, 23 de janeiro de 2020
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Carteiros: eles levam o mundo nas mãos

Rammom Monte / 25 de janeiro de 2017
Foto: Rammom Monte
Todo dia ele faz tudo sempre igual. Apesar da frase pertencer à letra da música Cotidiano, de Chico Buarque, ela enquadra perfeitamente na vida do carteiro Fábio de  Paula, de 37 anos, há três na profissão. Diferente da canção, ele “se sacode” às 6h30, um pouco mais tarde das habituais 6 horas do compositor carioca.  Mas a vida de Fábio é bem mais agitada do que a cantada por Chico. O carteiro chega a andar em média de 7 a 8 quilômetros por dia entregando as correspondências de uma área em João Pessoa. Nesta quarta-feira (25), comemora-se o dia do Carteiro e o Correio Online conversou com o profissional para saber um pouco do seu dia a dia.

“Eu acordo às 6h30, me apronto, vou deixar minha filha no colégio e 8h tenho que está aqui (no Centro de Distribuição Domiciliária). Aqui, a gente começa às 8h, as TD, chamada triagem por distrito, que vai separar as correspondências que vão ser distribuídas, separando também as correspondências mal encaminhadas que vieram para cá por engano. São uns 30 a 40 minutos para terminar este procedimento, quando termina, a gente recolhe a carga do seu distrito e sai para distribuir”, disse.

Carteiro há apenas três anos, Fábio disse o que lhe levou a escolher a profissão, que ele classificou como portador de boas notícias. “Eu sempre admirei, achei uma profissão bonita. Gosto do que eu faço, gosto do meu trabalho, faço com amor. Eu gosto de ver a satisfação das pessoas quando eu chego, quando entrego uma correspondência, gosto de ver aquilo ali. Muito telegrama que eu entreguei de gente que estava esperando passar em um concurso e foi chamado. É uma alegria muito grande você ser o portador desta noticia. É interessante. Assim como eu fui avisado sobre este concurso através de um telegrama, não esperava e de repente chegou um hoje companheiro de trabalho. É uma satisfação”, explicou.

Mas, caso você esteja pensando em se tornar  carteiro, saiba que precisa está com o condicionamento físico em dia. Fábio garante que ainda sobra disposição para praticar outros exercícios. “Ando uma média de 7 a 8 km por dia. No geral. O preparo físico tem que está bom. Do coração, carteiro não morre (risos), morre de outra coisa, do coração não. Mas é muito interessante, que a gente adquire um costume. Eu faço pilates ainda. Duas vezes por semana, ai acordo bem mais cedo que de 6h tenho pilates, ai é de 6h às 7h, ai vou para casa tomar banho e venho para cá, é bom que dá uma energia”, disse.

Situações engraçadas e constrangedoras



Apesar do pouco tempo de profissão, Fábio já acumula algumas situações inusitadas. De algumas, ele acha graça, mas de outras ele prefere esquecer. Quem nunca ouviu a história do cachorro que correu atrás do carteiro? Pois é, Fábio já passou por isto.

“Já teve muita história de cachorro. Aqueles cachorros espertos que nem latem, esperam só a pessoa se aproximar. Eu trabalhei um tempo lá no Cristo, ai fui entregar uma encomenda em uma casa com o portão baixo, ai eu coloquei o rosto assim no portão e quando eu gritei “correio” só senti o bafo dele. Senti o cheiro da ração que ele comeu. Foi um reflexo na hora que eu tive. Mas carreira nunca levei não, mas uma vez quase que eu corria”, lembrou aos risos.

Mas não são só situações assim. Além dos cachorros, os carteiros precisam lidar com o mau humor e a falta de educação de algumas pessoas. “Sempre tem alguém que reclama, mas eu relevo. Eu sei que todo mundo tem seus problemas, a gente não deve absolver isto não. Só as coisas boas. Mas já aconteceu demais. Gente reclamando, chamando de irresponsável. Acham que o problema é da gente, mas é porque a gente é a comissão de frente nesta logística toda, a gente que leva a bordoada do cliente, tudo é a gente, o final. Mas eu me acostumei. A gente lida com muita gente mal educada, que não lhe dá bom dia. Eu tento prestar meu serviço indiferente da má educação de um ou de outro. Eu tenho que fazer meu serviço, quem tiver com seus problemas, que se conscientize”, alertou.

Mensagem para os carteiros

Cachorros e gente mal educadas à parte, Fábio tem uma paixão imensa pela profissão. E ele fez questão de deixar uma mensagem para o Dia dos Carteiros. “Para os meus amigos o que eu tenho a dizer é que o a gente faz com amor, faz bem feito, a gente é retribuído de uma forma ou de outra lá na frente. Você se estressa bem menos, trabalha muito mais a vontade. Eu dou o parabéns a todos os carteiros, uma profissão muito bonita, bem quista pela população. Vamos tentar prestar o melhor serviço, que é o que a gente faz. E para a população eu desejo que se estresse menos com a gente que existe toda uma logística por trás disto e a gente não é o principal culpado”, finalizou.


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