terça, 16 de julho de 2019
Campina Grande
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Um ‘alavantú’ na tradição das quadrilhas juninas

Fábio Cardoso / 13 de junho de 2016
Foto: Beth Ribeiro/Divulgação

A apresentação da quadrilha junina Moleca 100 Vergonha na noite deste sábado (11), na Arena Quadrilhando, em Campina Grande, abriu o caminho para um dos projetos mais originais e que valoriza a cultura junina na Paraíba. O local, especialmente criado para ser mais uma das muitas atrações do São João da Paraíba, retrata a busca também pela manutenção da tradição.



Um dos idealizadores do projeto Quadrilhando, Lima Filho, presidente da Associação de Quadrilhas de Campina Grande, disse que o projeto engloba não apenas as apresentações das quadrilhas juninas, assim como a produção criativa que envolve artesanato, gastronomia e cultura. “A proposta é somar em um só espaço tudo que envolve as atividades culturais”, disse o dirigente.

Lima Filho disse que a proposta cultural tem relação direta com a iniciativa da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, que criaram uma estrutura para conseguir recursos para desenvolver os seus projetos culturais durante o ano inteiro. O trabalho da Liga é desenvolvido com uma empresa, em um espaço que funciona na Cidade do Samba bem próximo do Sambódromo.

Assim como fazem as escolas de samba cariocas, Lima Filho pretende criar caminho para que as quadrilhas juninas atuem durante todo o ano promovendo eventos e se tornando pequenas empresas com a venda de produtos típicos. O dirigente da ASQUAJU revela que muitos quadrilheiros passam por sérias dificuldades financeiras e que muitos tiram dinheiro do próprio consumo para manter a tradição.

quadilhando

Segundo Lima Filho, algumas roupas chegam a custar R$ 5 mil e que muitas quadrilhas fazem até empréstimo para poder bancar as suas apresentações. É uma situação que acaba sendo uma bola de neve e as dívidas se acumulam, mas ninguém consegue deixar de participar. O projeto, na opinião do quadrilheiro, pode ser uma luz no fim do túnel para essa situação.

Um grupo de quadrilheiros participou, no ano passado, de uma experiência no Rio de Janeiro, conhecendo o trabalho das pessoas envolvidas com a Liga das Escolas de Samba. Nessa experiência, todos tiveram a oportunidade de conhecer projetos sociais, formas de empreendedorismo, ação de marketing, entre outros pontos que tornaram os desfiles das escolas de samba muito mais profissional e com a divisão de receitas.

O Quadrilhando, segundo Lima Filho, seria uma ponta do iceberg para saltos maiores. No entanto, o caminho será longo e com muitas dificuldades, admite o dirigente.

No Quadrilhando, que fica no bairro do Catolé, o público pode encontrar vestimentas que são usadas pelos integrantes das quadrilhas juninas. Um dos estandes apresenta uma série de roupas e adereços que podem ser alugados ou comprados, com preços que variam de acordo com a peça. Costureiras prestam assistência e até contam as histórias de algumas das mais tradicionais quadrilhas juninas da cidade.

Nos estandes, o público também pode encontrar peças de artesanato produzidas por artistas de municípios próximos, como Alagoa Grande. São peças de linha com colchas, almofadas, toalhas de mesa, entre outros, que podem ser compradas por preços a partir de R$ 5. “Há uma produção criativa envolvida nesse projeto e que ganha esse espaço para ser mais divulgada”, disse a consultora do Sebrae-Paraíba, Miriam Rocha.

O Quadrilhando funcionará todos os finais de semana até o encerramento dos festejos juninos em Campina Grande - 18, 19, 23, 25 e 26 de Junho, 02 e 03 de julho. Nesses dias, haverá apresentação das quadrilhas juninas que integram a ASQUAJU, sempre a partir das 16h até às 20h.

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