terça, 29 de setembro de 2020

Campina Grande
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Rotina de violência dentro de escolas de Campina Grande

Fernanda Figueirêdo / 14 de abril de 2016
Foto: Chico Martins
A violência tem ganhado destaque no cenário educacional em Campina Grande. Educadores e alunos relatam casos de violência que já entraram na rotina das escolas, como assaltos, arrombamentos, arrastões, tráfico de drogas e até recrutamento de alunos para o crime. “São 53 escolas estaduais em Campina Grande. É preciso que se trace um plano de segurança para todas”, diz o diretor regional e vice-presidente estadual da Associação dos Professores de Licenciatura Plena do Estado (APLP), Odenilson Medeiros.

Segundo ele, todas as unidades têm problema com a violência. “Os arrombamentos são os crimes mais comuns. As escolas não têm vigilantes à noite, especialmente nos fins de semana e feriados. No transcorrer da madrugada se transformam em alvo fácil. As escolas são penalizadas porque o Estado demora a repor os equipamentos eletrônicos roubados, quando repõe. Alguém precisa assumir essa responsabilidade. Já cansei de denunciar todos esses problemas à 3ª Região de Ensino e nada ser feito”, disse Odenilson, que também leciona.

Os donos do pedaço

Com medo dos ‘donos do pedaço’, funcionários e familiares não denunciam a situação para não serem alvo das facções criminosas que dominam as periferias. Um pai, que pediu para não ser identificado, contou que vai deixar e pegar sua filha de 12 anos na Escola Estadual Senador Argemiro de Figueiredo, no bairro do Catolé.

“Várias vezes já vi bandidos em frente à escola. Venho deixar minha filha e só saio quando escuto o sinal das aulas tocar. Também venho buscá-la antes do término para que não corra tantos riscos”, afirmou.

Drogas na sala

Uma professora da Escola Estadual José Pinheiro, desabafa que no turno da noite nem a polícia tem coragem de se aproximar do local. “Todos os professores, em qualquer escola pública de Campina Grande, sabem o perigo que correm. Não podemos bater de frente com eles, temos que deixar os alunos fumar maconha até dentro da sala e fingir naturalidade. Assaltos nas imediações são constantes. Nunca pensei que fosse ter tanto medo de exercer minha profissão”, disse a mulher, que ensina há 8 anos.

Um dos professores do anexo da Escola Major Veneziano Vital do Rego”, na Catingueira, lamenta pela situação do colégio. Ele contou que semana passada um rapaz de moto entrou no prédio em uma moto, fardado, mas que não era aluno. No fim de semana seguinte, a escola foi assaltada pela segunda vez em 15 dias.

“Não tem ninguém armado aqui. Se chega alguém que não é aluno, a gente não pode bater de frente. Tem é que rezar pra eles não fazerem nada. O muro é muito baixo e todo o movimento é vigiado por traficantes. Estamos totalmente expostos e sem material para trabalhar, por tudo foi levado. Somos reféns do medo e do silêncio, porque ninguém é doido de se expor na mídia e no outro dia morrer”, disse o docente

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