quinta, 01 de outubro de 2020

Campina Grande
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Cinco avenidas são o terror do trânsito em CG

Renata Fabrício / 20 de outubro de 2016
Foto: Antonio Ronaldo
 

Campina Grande registrou no ano passado mais de 4 mil acidentes de trânsito. O número é ainda mais preocupante quando considerado que apenas cinco vias concentram mais de 25% de todas as ocorrências. O índice, monitorado anualmente, está gerando um estudo, realizado pelo setor de estatísticas da Superintendência de Trânsito e Transportes de Campina Grande (STTP), que pretende estimar quanto custa um acidente para a sociedade.

Segundo o chefe de estatísticas da STTP, Erivaldo de Oliveira, os corredores críticos apresentam informações específicas de dia e horários típicos das ocorrências. “Várias características levam um corredor a ser o mais crítico em acidentes. Campina Grande tem 20 corredores críticos, e esses números são tão importantes que estamos montando um estudo para precisar quanto os acidentes custam para sociedade, como um todo, levanto em conta desde o deslocamento das equipes que atendem as ocorrências, até mesmo os reparos nos equipamentos danificados e perda de produtividade da vítima”, relatou.

O gerente de Trânsito, Daniel Oliveira, disse que ações educativas são realizadas para conscientizar a população. “Diariamente realizamos rondas com agentes em viaturas e motocicletas nesses corredores. Naqueles em que identificamos um número considerado de acidentes, principalmente do tipo atropelamento, criamos pontos base nesses locais para que os agentes de trânsito possam, de maneira mais preventiva intervir no auxílio na travessia de pedestres. Outra ação também é desenvolvida pelo Departamento de Educação de Trânsito, elaborando e realizando palestras em empresas e instituições com relação à prevenção de acidentes e direção defensiva”, disse Daniel.

Ações efetivas

“Recentemente implementamos lombadas eletrônicas, o que nos trouxe uma redução significativa nos acidentes de trânsito nas proximidades de onde estão instaladas. Ações na sinalização horizontal, como pintura faixa contínua amarela (àquela que proíbe a ultrapassagem), faixas de pedestres e colocação de tachões refletivos reforçando ainda mais a visualização dessa sinalização vem sendo realizada semanalmente. Nos cruzamentos dos bairros, como por exemplo entre as ruas Campos Sales e Fernandes Vieira no José Pinheiro, local onde acontecia semanalmente acidentes, instalamos uma mini-rotatória com tachões refletivos e sinalizam os com placas de Dê a preferência e nas aproximações com faixa de pedestres. Enfim, há uma preocupação muito aflorada do superintendente com um intuito de tentarmos diminuir drasticamente o número de acidentes e acidentados, pois, sabendo do custo que um acidentado  custa aos cofres públicos, nossa maior preocupação também é com o prejuízo emocional e financeiro gerado na própria família de um acidentado”, informou o gerente de Trânsito.

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Quem está na rua, reclama da pressa

O fiscal de ônibus, Noaldo de Souza, trabalha com transporte coletivo há 21 anos. Para ele, o principal problema da Floriano Peixoto, corredor que lidera o número de acidentes, é a falta do uso correto da faixa de pedestres. “Existe uma faixa de pedestres, mas os pedestres não usam. Preferem atravessar pelo meio dos veículos para ganhar tempo. Eu já presenciei vários acidentes aqui. Um carro freia em cima, outro que vem atrás bate. Além disso, tem a faixa exclusiva de ônibus que os alternativos param e atrapalha todo o desembarque”, relatou o fiscal.

As irmãs Deusa Leal e Suzy Meire foram entrevistadas minutos depois de quase sofrerem um atropelamento. “A gente estava atravessando a faixa, que fica em frente à prefeitura, e o sinal abriu no meio da travessia. Um motoqueiro não esperou terminarmos de passar e saiu acelerado. Acredito que o pedestre em cima da faixa tenha preferência, mas principalmente quem pilota as motos, estão sempre apressados”, disse Deusa.

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