segunda, 28 de setembro de 2020

Campina Grande
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Chuva não chega ao Boqueirão e base de cimento da torre do açude já pode ser vista

Francisco José / 21 de abril de 2016
Foto: Chico Martins
Quem mora no Litoral e viu as cidades ‘debaixo d’água’ no último fim de semana talvez tenha esquecido o quanto a seca ainda assola o interior do Estado. Por determinação das agências Nacional de Águas (ANA) e Estadual de Gestão de Águas da Paraíba (Aesa), o uso de água nos açudes do Agreste ao Sertão está restrito ao abastecimento humano e animal, sendo proibida a irrigação de plantios. Foi o que informou o diretor-presidente da Aesa, João Fernandes da Silva. Ele afirmou que, dos 20 maiores açudes da Paraíba, o de Boqueirão (Epitácio Pessoa) foi o que recebeu menos água, este ano.

O reservatório é responsável pelo abastecimento de Campina Grande e mais 18 cidades da região. No açude continua proibido o uso de água para irrigação. Os tubos usados para captação de água de cultivos de hortifrutigranjeiros foram retirados pelos agricultores e estão amontoados próximos às casas próximas ao açude.

O presidente da Aesa afirmou que o órgão está vigilante para combater a retirada indevida da água nos reservatórios, mas reconheceu que a Polícia Militar não tem efetivo suficiente para o policiamento em todos os mananciais. “A polícia não tem condição de fiscalizar. A Aesa vai identificando as irregularidades e adotando medidas, de acordo com as determinações da ANA”, disse João Fernandes.

São Gonçalo vai bem. Dos 20 maiores açudes monitorados pela Aesa o que recebeu maior recarga foi o de São Gonçalo, que estava praticamente seco e volta a abastecer a população de Sousa, Nazarezinho e Aparecida. O Açude de São Gonçalo estava na segunda-feira, 18, com 23,2 milhões de metros cúbicos, correspondendo a 52% de sua capacidade total de armazenamento, que é de 44 milhões, 600 mil metros cúbicos.  

Desperdício. Na zona urbana de Campina Grande o enfrentamento ao desperdício e ao uso ilegal de água  é rotineiro. Em Campina Grande há identificação de irregularidades em todos os bairros, mas a Cagepa já implantou 40 mil novos hidrômetros. Nesse número estão incluídas as residências que ainda não tinham o equipamento; e aquelas onde os medidores foram substituídos.

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Coleta de água. Técnicos da Cagepa estão fazendo semanalmente retirada de água do açude para análise em laboratório, para constatação de potabilidade do produto. O gerente regional da Cagepa, Ronaldo Meneses,  explicou que, a análise semanal da água é um procedimento de rotina determinado pela Portaria  2.914, de 2011, baixada pelo Ministério da Saúde para todos os órgãos federais, estaduais e municipais que lidam com saneamento básico.

“A portaria do Ministério da Saúde determina a aferição da qualidade da água destinada ao consumo humano”, disse Ronaldo Meneses, adiantando que essa análise tanto para água ainda no estado bruto, quanto para a água tratada. “Mediante análise verifica a turbidez (cor da água), presença de coliformes totais e de metais pesados. A Portaria dispõe sobre os procedimentos de controle e de Vigilância da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, independentemente do volume que o manancial apresentar.

Ronaldo salienta que, em decorrência do baixo volume do Açude de Boqueirão, as características da água tendem a se modificar, revelando maior concentração de vegetação na água.  “Toda a avaliação passa pela estação de tratamento, onde a água torna-se apta ao consumo de acordo com os padrões físico-químicos e bacteriológicos”.

Na zona urbana de Campina Grande a Cagepa trava o combate ao desperdício, consertando vazamentos e instalando hidrômetros em  residências que ainda não tinham o medidor de consumo de água.  “Em Campina Grande há identificação de irregularidades em todos os bairros, mas a Cagepa já implantou 40 mil novos hidrômetros. Nesse número estão incluídas as residências onde os medidores foram substituídos”, afirmou Ronaldo Meneses.

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