segunda, 16 de julho de 2018
Campina Grande
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Agora é lei: petshops de Campina Grande terão que usar câmeras

Wênia Bandeira / 13 de julho de 2018
Foto: Chico Martins
A partir de outubro, todos os pets shops de Campina Grande terão que contar com um sistema de câmeras de monitoramento para que os donos possam acompanhar o tratamento dado aos animais. É o que determina a lei municipal de número 6.925, sancionada pelo prefeito Romero Rodrigues na segunda-feira.

As imagens das câmeras devem ser guardadas por, pelo menos, 15 dias. Em caso de serem solicitadas pelo cliente, precisam ser disponibilizadas em até 48 horas. Autor da lei, o vereador Olímpio Oliveira (MDB) disse que a ideia surgiu após receber uma denúncia.

“Eu recebi uma queixa de uma senhora cujo animal voltou com o olho vazado. Quando foram cortar o pelo do focinho, por acidente furaram o olho. Já teve denúncia de maus tratos em Campina Grande e nós precisávamos garantir a segurança do animal”, afirmou o vereador.

Conforme a lei, o monitores deverão estar fixados em áreas de fácil acesso para os clientes, e os pets shops terão 90 dias para se adaptar à nova legislação. O Procon ficará responsável pela fiscalização e aplicação de multas para quem não cumprir as determinações.

Investimento. Enquanto festejam a nova lei, os proprietários das lojas se preocupam com o investimento que terão que fazer. “É muito bom que os donos poderão ver como o trabalho será feito, mas este ano, com a crise, nós já tivemos que demitir dois funcionários. Não sei como vou fazer para investir nessas câmeras, fiquei muito preocupado”, falou o empresário do ramo, José Araújo.

O investimento, segundo a também empresária Lívia Dantas, gira em torno de R$ 1.200 para quatro câmeras instaladas. Na loja que administra, o monitoramento é feito desde a inauguração do estabelecimento. “Um cliente trouxe um cão e depois voltou dizendo que ele tinha quebrado o rabo aqui.

É muito fácil dizer que aconteceu no pet shop, mas conseguimos provar que ele foi bem tratado enquanto esteve conosco”, contou.

A empresária Lívia Dantas explicou que as imagens são guardadas por um mês e dão maior credibilidade para a empresa. “Nós também podemos ver pelo celular, mesmo quando não estamos na loja”, acrescentou.

Inspiração para a lei. O cachorro da raça ihasa-apso, Zeus, tinha 2 anos de idade quando foi levado a um pet shop para banho e tosa e voltou para casa com um olho perfurado. Segundo a estudante Bárbara Castro, 19 anos, ele teria se mexido quando estavam aparando o pelo do focinho e a tesoura machucou o olho do animal.

“Quando eu cheguei em casa, ele pulou da cadeira onde estava e desmaiou. Eu não sabia o que fazer, então levamos para uma médica veterinária 24 horas e ela disse que ele estava com perfuração na retina, formando uma úlcera”, contou Bárbara Castro.

Zeus precisou passar por tratamento durante seis meses, com pomadas e colírios, além de drenagem do sangue e raspagem. Foi necessário gastar mais de R$ 2 mil no tratamento e o cão acabou perdendo parte da visão.

Hoje, com 6 anos de idade, o animal vê apenas vultos. Com isso, a estudante comemorou a nova lei e disse que ficou lisonjeada em ter sido inspiração. “É muito bom porque a gente percebe que alguém olhou para os filhinhos de quatro patas. Na época não me deixaram ver o local, a pessoa que fez ou mesmo a tesoura usada”.

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