sábado, 19 de junho de 2021

Campina Grande
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Aesa considera normal retirada de água do Boqueirão

Renata Fabrício / 17 de novembro de 2016
Foto: Antonio Ronaldo
Apesar do flagrante da deputada Daniella Ribeiro (PP) e Defesa Civil de Campina Grande, que encontrou cerca de 30 carros-pipa, segundo ela, furtando água do açude Epitácio Pessoa - Boqueirão - a Agência Estadual de Gestão das Águas (Aesa) considerou o fato como uma retirada normal e sem impacto significante para o abastecimento das 19 cidades.

O coordenador da Defesa Civil de Campina Grande, Ruiter Sansão, disse que a visita tinha um caráter de observação, para sugerir ações do Governo do Estado, mas acabou com o flagrante da retirada livre, e sem qualquer fiscalização. “Fomos até os pipeiros pedir que apresentassem a autorização da Aesa e uma planilha de controle, até para saber para onde essa água seria destinada, pois a água retirada na margem do açude tem a presença de agrotóxicos e algas, e quando vai para a cisterna do agricultor, talvez não receba nenhum tratamento, como é feito pela Cagepa ou pela Operação Pipa do Exército”, relatou.

Uma agricultora, encontrada pela reportagem da TV Correio na sede da Defesa Civil, informou que paga cerca de R$ 300 pelo caminhão-pipa, mas pretende solicitar entrada no programa de abastecimento do Exército.

O presidente da Aesa, João Fernandes, disse que a licença dada pelo órgão é apenas para “organização”. “A retirada de um simples carro pipa é insignificante para um açude que está hoje com 24 milhões de metros cúbicos. O cadastramento é somente para efeito de organização. Estão confundindo o transporte com cobrar pela água. A Cagepa cobra para colocar no carro pipa, e é agua tratada, e não bruta. Não existe nada errado. Estão tirando água de quase todos os açudes da Paraíba. Faremos algo quando estiverem tirando demais. Mas reclamar de Boqueirão que tem 24 milhões de metros cúbicos, e achar que vai desabastecer Campina e as outras cidades? É uma retirada insignificante”, disse o presidente do órgão que gerencia e supervisiona o uso da água no Estado.

Ele defendeu os pipeiros encontrados pela comitiva da deputada, e sobre a qualidade da água disse ainda que sempre se tomou água retirada da fonte, sem tratamento. “As pessoas devem se cadastrar só para saber de onde estão tirando. Mas o cidadão que precisa e retira, isso é considerado uso de pouca expressão. Um carro pipa é uso insignificante. Eles não estão vendendo, estão transportando. Acreditamos que essa água deve ser para consumo animal. Só queremos uma autorização para organizar, e mesmo assim, toda vida se tomou água bruta. A Operação Pipa só distribui para as cidades que o Exército quer. Boqueirão tem hoje quase 24 milhões. Isso é muita água. Em termos absolutos é uma quantidade significativa. São poucos os mananciais que dispõe desse volume. É claro que queríamos Boqueirão com 100 milhões de metros cúbicos”, disse.

“Em Boqueirão o cidadão disse que cobra R$ 5 por caminhão, mas só quem pode vender água na Paraíba é a Cagepa, com exceção de Sousa onde é municipalizado” - Ruiter Sansão, coordenador da Defesa Civil

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