domingo, 18 de agosto de 2019
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Campina Grande pode ter colapso no abastecimento de água

Wênia Bandeira com Portal Correio / 22 de junho de 2019
Foto: Chico Martins
Um estudo do pesquisador do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Jorge Casé, em sua tese de doutorado, concluiu que o abastecimento de água em Campina Grande e outras 18 cidades deverá entrar em colapso em dez anos, mesmo com a transposição do Rio São Francisco. A população está temerosa e moradores pediram cuidado para que a economia de água continue.

Atualmente, Boqueirão tem só 21 milhões de metros cúbicos a mais que a quantidade de quando iniciou o racionamento.

A dona de casa Fátima Silva, 59 anos, falou que o período crítico vivenciado até agosto de 2017 deixou más lembranças. Ela contou que chegou a utilizar água mineral para tomar banho por não ter abastecimento nas torneiras. “Eu reaproveitava muita água e até hoje é assim. Sempre quando chove, eu estou com os baldes enchendo porque a gente tem que aproveitar para aguar as plantas, dar descarga e até lavar roupa”, afirmou a dona de casa.

De acordo com a pesquisa, o aumento populacional causará o problema levando em consideração a média histórica de chuva na região. Fátima Silva também citou o problema e disse estar temerosa.

“Era muito difícil naquele tempo. É muita gente precisando da água, a população de Campina Grande está muito grande e as pessoas precisam aprender a economizar porque não dá para viver tudo aquilo de novo”, falou.

Ela convive com a ajuda de uma caixa de água de mil litros com duas pessoas morando na residência localizada no bairro do Alto Branco.

O racionamento de água aconteceu em Campina Grande e região entre o dia 6 de dezembro de 2014 e 25 de agosto de 2017.

A decisão de começar a racionar aconteceu quando o açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão, contava com 24,1% de sua capacidade.

Segundo dados da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), na quarta-feira (último dado divulgado) o manancial tinha 25,56%. Como a capacidade do reservatório sofreu um aumento, o valor representa em torno de 4% de diferença.

Silêncio

O CORREIO tentou contato com o presidente da Aesa, mas as ligações não foram atendidas. O gerente regional da Cagepa, Ronaldo Menezes, também foi procurado pela reportagem. Contudo, em virtude do ponto facultativo, ele informou que não estava trabalhando ontem e não teria acesso às informações para comentar a pesquisa.

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