terça, 24 de novembro de 2020

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Fogo criminoso em canaviais acende alerta

Aline Martins / 05 de setembro de 2016
Foto: Assuero Lima/Arquivo
Com o intuito de coibir o fogo criminoso nos canaviais e também evitar a queima perto da rede elétrica, instituições fazem a partir deste mês até novembro uma campanha para alertar a população. Na safra passada foram registrados 195 boletins de ocorrências por diversos tipos de crimes que geraram perdas, segundo informou o Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado da Paraíba (Sindalcool). Essas ações criminosas na Paraíba têm gerado um prejuízo na ordem de R$ 7 milhões por ano. Há empresários que contabilizam quase que diariamente três incêndios imprevistos nas plantações. O fogo programado, que é para a colheita da cana, ocorre geralmente do final da tarde e no turno da noite e não é considerado criminoso, pois é feito conforme a colheita da sacarose e é licenciado para a execução da queima.

Há dois tipos de queima de cana nos canaviais: o programado que segue um licenciamento e o que é criminoso. Segundo o presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), Murilo Paraíso, o método de colheita ainda é antigo, ou seja, através de queima feita tecnicamente para que o canavieiro não sofra com a retirada. Essa queima depende da direção do vento e da hora, por exemplo. Mesmo sendo programado é necessário que se tenha um preparo e se evite atingir áreas de reservas ambientais. “No Nordeste a lei ainda permite até o ano de 2017 que é o limite. Sempre é prorrogado por conta da mão-de-obra porque isso vai dá o êxodo do campo para a cidade”, disse, destacando que algumas usinas estão se preparando com máquinas para fazer essa colheita, substituindo o homem. Até agora, esses equipamentos são caros e o fornecedor, de acordo com ele, não tem condições de tê-las. “Mas futuramente a tendência é essa. Um desemprego em massa”, frisou.

Em relação às perdas provocadas pelo fogo criminoso, o presidente do Sindalcool Edmundo Oliveira informou que muitas vezes, a empresa é obrigada a colher rapidamente a cana que foi queimada criminosamente, pois ela se deteriora com facilidade. Destacou que o pouco que se aproveita é pequeno diante do que poderia ser colhido quando o produto está maduro. “Isso significa uma perda de energia enorme porque muitas vezes tem pouca cana e ainda não está madura para colher ou situações imprevistas fogem do planejamento das empresas e os trabalhadores são muito prejudicados”, afirmou, acrescentando que todas as vezes que ocorre situação como essa, o produtor registra um boletim de ocorrência.

“A temperatura junto do solo alcança muitas vezes 40, 42 graus ou mais e nessas condições a palha da cana mesmo nos lugares onde existe colheita mecanizada essa palha pega fogo muito rapidamente. Isso faz com o ar junto com o vento que temos sempre aqui soprando esses incêndios sejam incontroláveis”

No entanto, nem todos os produtores de cana acabam registrando as ocorrências na Polícia Civil, pois desacreditam que os autores possam ser identificados, apesar de toda a orientação. De acordo com o presidente da Asplan, o fogo que prejudica a população como nas proximidades da rede elétrica deve ser coibido assim como os criminosos. “Esse é um fogo como os vândalos fazem nos prédios pichando. Eles passam e tocam fogo. Ninguém vai tocar fogo no meio-dia. Se você vê um canavial o fogo no meio-dia é fogo criminoso. O cara foi tocou porque às vezes eles tocam fogo de propósito porque quer cortar logo a cana, está sem serviço, então adiantam e metem fogo. Mas todo fornecedor tem ajuda das usinas que tem carros pipas que correm para apagar”, revelou.

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Os produtores ainda não encontraram um método de prevenir o incêndio criminoso. “Às vezes tocam em cinco ou seis toneladas e se a gente não for ágil para resolver esse problema, então há um prejuízo. Tem que tocar fogo dentro da época e com licença porque cana a gente vai tirar de acordo com a sacarose. Então cada um tem uma época para retirar a cana”, ressaltou Murilo Paraíso, que destacou que, como os canaviais são de grande extensão, não tem como fiscalizar, pois teriam que colocar diversas pessoas para cumprirem essa demanda. Segundo o diretor técnico da Asplan José Inácio de Morais Andrade, já foram realizadas reuniões com a Justiça Civil e com superintendências de Polícias Civis de Santa Rita e de Mamanguape, por exemplo, que são áreas mais susceptíveis a ocorrências de ações delituosas para que auxiliem a identificar os autores dessa prática.

Precauções tomadas pelos produtores e campanha já começa neste mês

De acordo com Edmundo Oliveira, presidente do Sindalcool, muitos empresários têm tirando a cana que fica localizada embaixo da rede elétrica para gere também menos perdas. “Tem uma campanha nossa com a Energisa e neste ano a campanha está sendo retomada. O período mais grave para esse tipo de ocorrência é outubro, novembro. Nós estamos retomando essa campanha para que a gente possa promover o esclarecimento”, afirmou. A campanha deste ano vai pedir também o apoio do Corpo de Bombeiros para ajudar, pois segundo o presidente, o fogo nas residências no meio rural pode causar grandes prejuízos. Ainda há pessoas que adotam o fogo a lenha e a queima também geram problemas respiratórios porque são altamente tóxicos.

Ele explicou que desde o ano passado quando a campanha se realizou também ajudou a que o produtor retirasse a cana debaixo da rede elétrica. “Muitas empresas deram exemplo e mandaram passar o trator na cana que estava embaixo da rede elétrica para não ter problemas”, afirmou, destacando que as conseqüências são grandes e acabam gerando outros problemas mais graves.

 

 

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