terça, 29 de setembro de 2020

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Caiana dos Crioulos. Quilombolas estão migrando para o Rio de Janeiro e a cultura sendo extinta aos poucos

20 de novembro de 2016
Em busca de oportunidades, os quilombolas do território Caiana dos Crioulos, na zona rural de Alagoa Grande, Agreste, migram para o Rio de Janeiro com o objetivo de buscar meios de sobrevivência que não encontram na Paraíba. Com a partida dos mais jovens, a cultura vai aos poucos sendo extinta. Cirandas, coco de roda, capoeira, farinhadas, lendas e mistérios das religiões afrodescendentes que antes se perpetuavam por gerações, vão sumindo junto com a esperança do título da terra e de melhorias para a comunidade, que hoje conta com apenas 130 famílias. Enquanto na Capital Fluminense, aproximadamente 300 famílias remanescentes do quilombo se concentram no bairro Pedra de Guaratiba.

Segundo a presidente da Associação Quilombola dos Moradores de Caiana dos Crioulos, Severina Luzia da Silva, Cida, a comunidade foi reconhecida como quilombo pela Fundação Cultural Palmares em 1997. No entanto, até hoje luta pelo direito ao título de posse da terra e por benefícios federais, que dificilmente chegam ao lugar, a 12 km de Alagoa Grande, em uma área de difícil acesso.

“A gente não conhece nossa história, só o que esses pesquisadores de fora de vez em quando contam. Nossos pais, avós e bisavós eram muito fechados, não falavam nada e ainda nos proibiam de falar com quem não fosse daqui. Já os mais novos vão logo embora, porque aqui não tem oportunidade”, explicou Dona Cida, 49 anos, mãe de oito filhos, dos quais seis já residem no bairro carioca, considerado por eles como um quilombo urbano de Caiana dos Crioulos.

Cida lamenta, no entanto, que a migração para o Rio seja um destino certo e geralmente sem volta. “É nossa cultura que parte com eles. Não é que os jovens queiram ir, mas aqui não tem trabalho, quase não tem terra pra plantar, porque a terra boa ainda é de fazendeiro, tem pouca água e nenhuma expectativa. Aqui ninguém sonha. O mais alto que se pode querer é ir embora para trabalhar de faxineira, pedreiro, carpinteiro, esse tipo de coisa”, explicou.

Na Escola Municipal Firmo Santino da Silva estudam 185 alunos da comunidade. Embora o estímulo à conservação cultural seja contínuo, a diretora Josiane Brito confirma que a migração é inevitável. Em busca de oportunidades, os quilombolas do território Caiana dos Crioulos, na zona rural de Alagoa Grande, Agreste, migram para o Rio de Janeiro com o objetivo de buscar meios de sobrevivência que não encontram na Paraíba. Com a partida dos mais jovens, a cultura vai aos poucos sendo extinta. Cirandas, coco de roda, capoeira, farinhadas, lendas e mistérios das religiões afrodescendentes que antes se perpetuavam por gerações, vão sumindo junto com a esperança do título da terra e de melhorias para a comunidade, que hoje conta com apenas 130 famílias. Enquanto na Capital Fluminense, aproximadamente 300 famílias remanescentes do quilombo se concentram no bairro Pedra de Guaratiba.

Segundo a presidente da Associação Quilombola dos Moradores de Caiana dos Crioulos, Severina Luzia da Silva, Cida, a comunidade foi reconhecida como quilombo pela Fundação Cultural Palmares em 1997. No entanto, até hoje luta pelo direito ao título de posse da terra e por benefícios federais, que dificilmente chegam ao lugar, a 12 km de Alagoa Grande, em uma área de difícil acesso.

“A gente não conhece nossa história, só o que esses pesquisadores de fora de vez em quando contam. Nossos pais, avós e bisavós eram muito fechados, não falavam nada e ainda nos proibiam de falar com quem não fosse daqui. Já os mais novos vão logo embora, porque aqui não tem oportunidade”, explicou Dona Cida, 49 anos, mãe de oito filhos, dos quais seis já residem no bairro carioca, considerado por eles como um quilombo urbano de Caiana dos Crioulos.

Cida lamenta, no entanto, que a migração para o Rio seja um destino certo e geralmente sem volta. “É nossa cultura que parte com eles. Não é que os jovens queiram ir, mas aqui não tem trabalho, quase não tem terra pra plantar, porque a terra boa ainda é de fazendeiro, tem pouca água e nenhuma expectativa. Aqui ninguém sonha. O mais alto que se pode querer é ir embora para trabalhar de faxineira, pedreiro, carpinteiro, esse tipo de coisa”, explicou.

Na Escola Municipal Firmo Santino da Silva estudam 185 alunos da comunidade. Embora o estímulo à conservação cultural seja contínuo, a diretora Josiane Brito confirma que a migração é inevitável.

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