quarta, 19 de dezembro de 2018
Cidades
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Após protestos, ambulantes continuam nas ruas de João Pessoa

Bárbara Wanderley e Katiana Ramos / 30 de janeiro de 2018
Foto: NALVA FIGUEIREDO
O destino de muitos ambulantes que trabalham no Centro de João Pessoa, principalmente no entorno do Parque Solon de Lucena, deve ser definido hoje durante uma reunião entre os representantes dos vendedores e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedurb). No encontro, a gestão municipal deve apresentar um plano para propor a relocação de alguns comerciantes.

“A prefeitura já tem um plano, que ainda não posso adiantar qual é, porque primeiro precisamos ver essa quantidade de ambulantes para saber se será compatível com o que estamos pensando”, explicou o secretário da Sedurb, João Furtado.

Enquanto uma nova área para os ambulantes não é definida, eles poderão continuar suas atividades no Parque Solon de Lucena normalmente. “Só cuidaremos para que não haja excessos e que o Código de Posturas seja seguido ao máximo”, acrescentou o secretário.

De acordo com a Associação dos Vendedores Ambulantes da Paraíba, entre os trabalhadores, há muitos que perderam os empregos formais e encontraram nas ruas a única forma de pagar as contas, como é o caso da vendedora Maria do Socorro Martins. “Ninguém vem ficar em pé na rua, no sol quente e na chuva, trazendo três meninos, porque quer. A gente vem porque precisa. Se eu pudesse ficaria em casa cuidando dos meus filhos”, disse Maria do Socorro.

Para ela, as pessoas que reclamam da presença de ambulantes nas ruas não entendem que eles estão ali por falta de opção para sobreviver. Ela contou que trabalhava como serviços gerais, mas foi demitida há um ano, e teve dificuldade de conseguir outro emprego.

Com três filhos para criar e sem o pai das crianças por perto, ela resolveu investir parte do dinheiro que recebeu na demissão para comprar roupas infantis e revender na rua, seguindo os passos da irmã, que tem uma loja no Centro Comercial de Passagem, no Centro da Capital.

Desde então ela se desloca todos os dias de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa, onde mora, para o Centro da Capital. Atualmente ela também está levando os três filhos pequenos, que estão em férias escolares e não têm com quem ficar em casa.

“Ainda corro risco porque a cada 15 dias viajo para comprar mercadoria e tem muito assalto”, disse.

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