segunda, 18 de janeiro de 2021

Cidades
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‘Apito de Ouro’ é homenageado pelo Batalhão de Policiamento de Trânsito

Bruna Vieira / 01 de junho de 2016
Foto: Assuero Lima
Nas décadas de 1960 e 1970, um guarda de trânsito amigo da população tornou-se emblemático, pela educação e dedicação. Antônio Augusto da Silva fez história na Paraíba. Mas, era conhecido mesmo como “Apito de Ouro”, instrumento que ostentava no trabalho diário. Na época, o trânsito não tinha os mesmos problemas de hoje: mobilidade e alcoolemia. Homenageado em vida, o Batalhão de Policiamento do Trânsito Urbano de Rodoviário da Paraíba inaugurou um auditório que leva o nome do Cabo da PM Reformado.

Com lágrimas nos olhos e versos nos lábios, Apito de Ouro agradeceu a homenagem e relembrou o tráfego naquela época, sem semáforos, faixas e poucos acidentes. “Hoje tem mais carros, o trânsito está mais violento, mais acidentes. Muita gente que bebe e dirige, destrói a si e aos outros. É muita imprudência. Tem gente que quer passar por cima da Lei porque tem dinheiro. Naquele tempo era orientar as crianças, os pedestres. Eu gostava do que eu era, me sentia feliz ajudando e sendo admirado pelo povão”, narrou.

Aos 82 anos, sete filhos e 12 netos, Antônio Augusto contou das dificuldades antes de entrar para a Companhia de Trânsito. “Meu pai mandou minha mãe embora em Caiçara, Boqueirão. Fomos morar com um tio. Ele me deu uma enxada e quando íamos para a roça, vi um guarda de trânsito passando. Naquela hora decidi que queria ser um. Em João Pessoa, trabalhei como fretista enquanto minha mãe trabalhava em casa de família. Às vezes passava o dia só com um suco de maracujá. Com 17 fui para o Exército, PM, até ir para o trânsito, onde passei 33 anos”, relatou.

Guarda maluco. No auditório, a galeria dos ex-comandantes, a placa e pintura com o rosto de Apito de Ouro. Antônio Augusto lembrou que houve um tempo em que foi manchete de jornal: “Trânsito maluco, guarda maluco”. Foi pelo estilo de sinalizar que ele apresentava, com movimentos que aprendeu no Exército. Cantou uma música de sua infância, lembrando da mãe, que sempre cuidou dele. O apito de ouro foi um presente da corporação pelo seu merecimento e dedicação. “Quando vejo o trânsito engavetado quero entrar no meio. A homenagem de hoje vale mais que dinheiro”, contou.

O comandante do BPTran, coronel Almeida Martins, comparou os problemas no trânsito da época com os atuais. “O trânsito era mais tranquilo, a população era menor. Hoje, o maior problema é o álcool, o desrespeito às leis, a impunidade. . As ruas não estão preparadas para a quantidade de veículos. A sociedade colabora para agravar. Tem que colaborar mais para reduzir os acidentes”.

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