domingo, 09 de maio de 2021

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Apenas 5% dos pacientes na fila de transplante de rins fazem a cirurgia na PB

Lucilene Meireles / 18 de agosto de 2018
A fila de pacientes que precisam de um rim, na Paraíba, tem hoje 378 pessoas, mas apenas 143 estão prontas para concorrer ao órgão, ou seja, vão mensalmente ao médico e atualizam os exames. Em fevereiro, quando o município de João Pessoa firmou convênio com a Central de Transplantes para realizar as intervenções em hospitais locais, eram 343 pessoas à espera de um doador, mas desde então, a Capital realizou apenas 8 transplantes. No Estado, desde o início de 2018, menos de 5% do total de pacientes recebeu um rim, e a maior dificuldade é a falta de doadores.

Em João Pessoa, os hospitais habilitados para realizar a cirurgia são o Hospital Nossa Senhora das Neves e o Hospital Memorial São Francisco. Este último obteve autorização da Central de Transplantes da Paraíba, mas ainda não realizou nenhum transplante. Além das duas unidades, as cirurgias são realizadas no Hospital Antônio Targino, em Campina Grande que, desde o início do ano, transplantou 10 pacientes. Além de rim, a Paraíba realiza transplante de fígado e córnea.

A chefe de Ações Estratégicas da Central de Transplantes da Paraíba, Myriam Carneiro, explicou que é possível fazer a doação entre pessoas vivas e, se não há um parente compatível, é preciso esperar por um cadáver. “Ele deve ter sido diagnosticado com morte encefálica, quando o coração fica batendo, mas o cérebro está morto e não tem mais como voltar. É diferente de quando um paciente está em coma, quando o cérebro ainda recebe oxigenação”, esclareceu.

Ela acrescentou que existe um protocolo do Conselho Federal de Medicina que determina como deve ser esse diagnóstico. E todo o processo é fiscalizado pela Central de Transplantes. “É muito seguro e, inclusive, houve um treinamento recente com médicos da UTI”, destacou.

Atualmente, 235 pacientes estão na fila, mas são inaptos. O nome permanece, conforme Myriam Carneiro, porque alguns deles podem ter morrido e o médico não avisou à Central. Outros podem ter feito o transplante em outro Estado. Há ainda os que estão na lista porque a cirurgia é muito recente e os dados ainda não foram atualizados. “Só sai da lista se tiver um documento por escrito do médico ou do próprio paciente dizendo que desistiu de fazer o transplante ou atestado de óbito”.

Estado não faz cirurgia em crianças

Na Paraíba, não são realizados transplantes de rim em crianças, porque o Estado ainda não conta com uma equipe capacitada para fazer o procedimento. De acordo com Myriam Carneiro, da Central de Transplantes, não há previsão para que isso aconteça.

“Não há como prever, uma vez que a capacitação médica é algo que somente o médico pode responder. Mas, assim que alguma equipe se manifestar que está apta a transplantar crianças, teremos satisfação em ajudá-los a iniciar a realização do procedimento nos hospitais já autorizados”, disse.

Ela ressaltou que, para realizar o transplante, as crianças devem ser inscritas na lista pelo médico que vai operar, e a cirurgia é realizada em outros Estados.

Campanha nacional . Em setembro, terá início a campanha nacional para incentivar a doação, que será voltada para a capacitação dos profissionais das Comissões Intra Hospitalares para Doação de Órgão e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), e estudantes de medicina e enfermagem.

“Dentro da programação, está prevista, para o dia 22 de setembro, uma palestra muito interessante com uma pessoa que foi transplantada três vezes e hoje participa da Organização Asas do Bem, que viaja pelo Brasil sensibilizando as pessoas para a importância da doação”, frisou Myriam Carneiro.

Ela lembrou que está marcado para o dia 24, o tradicional culto ecumênico com a participação de familiares de doadores e receptores de órgãos, no auditório da PBTUR, em Tambaú.

“Esse culto é muito emocionante porque as famílias têm a oportunidade de dar seu depoimento que sensibiliza a todos que participam do evento. Fora estas atividades, ainda temos um encontro das Comissões Intra Hospitalares em João Pessoa e outro em Campina Grande”, concluiu.

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