segunda, 19 de abril de 2021

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Ansiedade atrapalha na hora do resgate

Lucilene Meireles / 07 de julho de 2018
Foto: Divulgação
Em situações como a vivida pelo time de futebol na Tailândia, sensações como medo, pânico, desespero e ansiedade dificultam ainda mais a situação. E o que fazer para manter a calma quando se está preso numa caverna, na mata fechada, numa mina, ao cair em um poço? De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba (CBMPB), cada situação exige uma conduta diferente da vítima, mas de modo geral, a primeira orientação é procurar manter a calma, embora esse seja um ponto subjetivo e varia conforme o estado psicológico e emocional momentâneo de cada vítima diante de cada situação. Além disso, dependendo do tempo em que se fica preso ou perdido, vêm outras consequências, como a falta de alimento.

Algumas pessoas, como os diabéticos, podem ter condições de saúde mais críticas. “Vai depender também de variáveis, como a individualidade fisiológica, o clima do local, o gasto de energia. Após 21 dias sem comer, o corpo humano começa a sofrer consequências severas pela falta de alimentação. Mas, há relatos de pessoas que sobreviveram, mesmo após 30 dias sem comer”, destacou equipe da Seção de Relações Públicas do CBMPB.

Em casos mais complicados, como o da Tailândia, a dica é esperar pelo socorro especializado já que necessitam de resgate para sair. Não se deve realizar atividades que consumam muito oxigênio, que já é reduzido nesses locais.

Ansiedade precisa ser controlada

A ansiedade é o fator psicológico mais forte nesse tipo de situação. “Em linhas gerais, se manifesta com uma angústia muito grande que chega a imobilizar o indivíduos e, às vezes, fazer com que ele tenha transtornos físicos, como parada respiratória, problemas gástricos muito sérios”, explicou a psicóloga Cássia Freitas, especialista em terapia cognitivo-comportamental do Interser.

Segundo ela, cada pessoa tem uma área de sensibilidade, de reação, que pode ser a respiração, o sistema gástrico, que provoca diarreia, e a pele, com o surgimento de manchas. Tudo depende do histórico individual, da perspectiva que se vivencia uma situação de extremo risco, de temor.

“A princípio, é necessário lidar com o dado de realidade. A pessoa, num quadro de ansiedade, tem perspectivas catastróficas. Já prevê que algo ruim vai acontecer, que vai morrer, que ninguém vai conseguir, por exemplo, numa situação de risco, tirá-los de lá”, disse. No caso da Tailândia, ela afirmou que, a primeira coisa, seria trabalhar com os dados de realidade. Onde eles estão, há quantos dias estão sobrevivendo, eles foram localizados, estão se alimentando, têm pessoas perto, os familiares estão acompanhando. Depois dessas constatações, é preciso ir desenvolvendo mecanismos físicos para tentarem baixar a adrenalina e o temor.

A respiração tem extrema importância para quem tem tendência a agravamentos de quadros de ansiedade. A psicóloga recomendou que é necessário controlar a respiração, o que faz com que as substâncias do cérebro também acalmem.

Cássia Freitas lembrou que a pessoa que está sozinha, como num assalto, num acidente grave de carro, às vezes sofre uma pane mental, psicológica, não consegue pensar, tem lapsos de tempo, não sabe onde está, o que aconteceu. “A reação depende do histórico do indivíduo. Normalmente, a gente precisa fazer um certo exercício para ter uma reserva disso, para que numa situação dessa seja possível diminuir a ansiedade”.

Ela acrescentou que praticar atividades físicas ajuda a controlar a ansiedade. “Aprender a respirar, aprender a trabalhar os pensamentos automáticos negativos. Se aconteceu um acidente de carro, é preciso pensar: vai chegar o socorro. Se eu não morri, eu tenho uma possibilidade. Tudo isso, são fatores predisponentes a ter ou não um controle”, disse.

Resgates dramáticos na PB

O mais recente foi o caso de uma vítima soterrada no município de Mamanguape. No dia 10 de março deste ano, o CBMPB foi acionado para retirar um homem que estava dentro de um poço em construção. Houve um deslizamento no local e muita dificuldade para retirar o corpo. A operação durou 48 horas e contou com a atuação de 40 militares que trabalharam na escavação. O trabalho teve que ser lento para evitar novos deslizamentos. O corpo da vítima foi retirado de uma profundidade de 12 metros.

Em 2014, houve um soterramento de três vítimas. Duas sobreviveram. O acidente ocorreu no dia 25 de março, numa obra no bairro Altiplano. Várias viaturas foram deslocadas para o local. A primeira vítima sofreu ferimentos leves e escoriações. A segunda estava com o corpo quase todo soterrado e só foi retirada após duas horas de trabalho. Já o terceiro trabalhador foi soterrado completamente e não sobreviveu.

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