quarta, 20 de setembro de 2017
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Alternativos migram para outros pontos de João Pessoa e seguem ilegais

Beto Pessoa / 16 de setembro de 2017
O ponto dos motoristas de transporte alternativo que se concentrava no Varadouro e na parte baixa do Centro de João Pessoa, se expandiu para o entorno do Parque da Lagoa Sólon de Lucena e Mercado Central.  A Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana da Capital (Semob) nega o aumento de motoristas de transporte alternativo na cidade.

Apesar de trabalharem de maneira clandestina, por falta de regularização dos órgãos públicos, os motoristas alternativos não fazem questão de se esconder e oferecem o serviço abertamente ao público. Em alguns pontos da área do Parque da Lagoa e na rua Duque de Caxias há ainda grupos que se organizaram por conta própria para disciplinar a atividade.

Nesse último ponto já são aproximadamente 70 carros circulando pela região. Dois grupos organizados têm ponto no local: o grupo azul, com 45 condutores, e o grupo cinza, com 25 condutores. Todos fardados, esperam os passageiros em grandes sombreiros na cor de cada coletivo. O local disponibiliza água e cadeiras aos usuários. A mesma organização acontece na Rua Santo Elias e no anel externo do Parque da Lagoa, próximo ao Mercado Central.

O coordenador do grupo cinza que atua na Rua Duque de Caxias, Cosme da Silva, tem 49 anos de idade e faz transporte alternativo há 12. Ele explica que a regularização da categoria beneficiaria a todos, desde que pensada em conjunto com os motoristas.

“Nunca chegou qualquer proposta da prefeitura para a gente. Soubemos por terceiros que eles querem que os alternativos passem a usar minivans. Se a gente pudesse comprar minivan não estaria fazendo alternativo. Queremos que a prefeitura nos dê uma proposta possível, porque tentamos nos organizar do nosso jeito, enquanto eles não apresentam nada”, disse.

A mesma afirmação reforça o coordenador do coletivo azul, Marcelo Gonçalves, de 36 anos, há 18 anos fazendo alternativo.  “Por exemplo, nossos carros só levam quatro passageiros, conforme a lei. Não estacionamos em calçadas, também para respeitar a lei. Mas, como não há regularização, tem muita gente de fora, que não pertence a nenhum grupo, fazendo coisas indevidas. Isso estraga a imagem de quem quer trabalhar direito”.

A estudante Letícia Regina, de 20 anos, usa o transporte alternativo rotineiramente e diz não sentir insegurança. “Eu uso sempre e já conheço todos os motoristas. É melhor que esperar o ônibus, que demora muito a chegar e nem sempre é confortável”, disse.

Inadequados

O superintendente da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob) de João Pessoa, Carlos Batinga, contestou a expansão dos alternativos atuando em novas vias no Centro da capital e disse que muitos motoristas faturam em cima da ilegalidade, por isso é difícil se chegar num consenso.

"A regularização é complicada porque muitos trabalham em cima da irregularidade. Os carros não são aptos para o serviço, muitos condutores também não são e regras de segurança não são cumpridas. Por isso muitos não querem se regularizar”, disse.

Mangabeira, Cruz das Armas e diversas regiões do Centro de João Pessoa têm alta concentração desses transportes, rotineiramente fiscalizados pela Semob.

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