domingo, 24 de janeiro de 2021

Cidades
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Alternativos estão por toda parte em João Pessoa

Beto Pessoa / 04 de novembro de 2017
Foto: Assuero Lima
O transporte alternativo têm se multiplicado pela cidade, o que antes era comum apenas no Centro de João Pessoa, agora migrou para a zona sul e, segundo estimativa da coordenação dos motoristas alternativos, nos últimos 5 anos o aumento da oferta de veículos naquela região foi de 80%, pulando de 30 para 150 veículos.

A recepcionista Luciana Travassos, 42 anos, mora no Valentina, um dos bairros mais populosos de João Pessoa. São 22.452 habitantes, segundo dados do Censo 2010, boa parte usuária de transporte público, que para ela nem sempre atende à demanda necessária.

Na avaliação do representante dos motoristas de alternativos da zona sul, Júnior Soares, o serviço cresceu 80% nos últimos 5 anos, devido ao crescimento da região em descompasso com a oferta de ônibus. “Você veja que hoje vários bairros foram criados, estão expandindo a população, mas não tem ônibus. Pessoas que trabalham em outras regiões e o ônibus não atende. Se tem alternativo é porque tem demanda”, disse.

O universitário Ruan Mitchel, de 21 anos, segue a mesma opinião. Ele mora no Portal do Sol, bairro que entre 2007 e 2010 cresceu em 94,82% sua população, segundo dados dos últimos dois Censos Demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ele precisa se deslocar todos os dias para a zona norte, mas na opinião dele, a oferta de ônibus não é suficiente.

Por outro lado, quem não está satisfeito com os transportes alternativos são os motoristas de ônibus. Isso porque, com o crescimento da circulação desses carros, o tráfego dos ônibus tem sido prejudicado, explica o condutor Márcio do Nascimento, que opera a linha 5206, que circula entre Mangabeira, Epitácio Pessoa e Cristo Redentor.

“Eles (os alternativos) entram na frente do ônibus. Muitas vezes temos que frear bruscamente, porque corre o risco de batermos. Nós temos horários a cumprir e muitas vezes esses carros atrapalham nosso fluxo. Entendo que é o ‘ganha pão’ deles, mas é preciso regularizar, organizar melhor isso”, disse.

O representante dos alternativos da zona sul, Júnior Soares, disse que a categoria tenta uma regulamentação, uma vez que os usuários da zona sul têm carência do serviço. “A gente tá atendendo uma demanda. Os ônibus não chegam a bairros como Muçumagro e Paratibe, e em bairros antigos e populosos, como Valentina, não são suficientes. O alternativo é a solução”.

Sem diálogo. O superintendente de Mobilidade Urbana (Semob) de João Pessoa, Carlos Batinga, demonstrou impossibilidade de diálogo para regulamentação destes transportes. “Não existe processo de regulamentação no município. Se é clandestino é clandestino, temos que cumprir a legislação e não há instrumento hoje para abrir este diálogo”, disse.

De acordo com o superintendente, 312 ônibus atendem a zona sul de João Pessoa, volume considerado suficiente para o órgão. “Até porque não temos como aumentar a frota. Se aumentarmos a frota ela não cabe na Lagoa no horário de pico, por exemplo, já que a região já está no seu limite”, disse.

As multas para quem realiza transporte alternativo, segundo Carlos Batinga, varia de R$ 135 até R$ 800, uma vez que, além da infração por realizar transporte alternativo, ele pode ser autuado por outras irregularidades, como trafegar em faixas exclusivas para ônibus.

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