sexta, 23 de fevereiro de 2018
Água
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Vazamento de soda cáustica no Rio Gramame

Bárbara Wanderley / 15 de Fevereiro de 2018
Foto: Assuero Lima
“Até os urubus que estavam comendo os peixes mortos e estavam morrendo depois”. A revelação veio de um grupo de pescadores da comunidade de Mituaçu, no município do Conde, na Região Metropolitana de João Pessoa. Eles contestam a nota emitida pela Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), que afirma que o vazamento de 40 mil litros de soda cáustica no rio, ocorrido na última sexta-feira não afetaria o Rio Gramame. “Morreu tudo. Essa semana a gente não vai pescar”, disse o pescador conhecido como Dando.

A comunidade vive basicamente da pesca. Alguns moradores estão contando com o seguro defeso para sobreviver, mas apenas pescadores registrados e que têm a pesca como única fonte de renda recebem o benefício, no valor de um salário mínimo, durante o período de defeso. “Já dei entrada, mas ainda não saiu”, contou a pescadora Cinalva de Melo.

Já a pescadora Maria José contou que não recebe o seguro e não sabe o que fará para sobreviver enquanto não puder pescar. Toda a família de Maria José é de pescadores.

Os pescadores contaram que equipes de diversas instituições, como a Universidade Federal da Paraíba, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da própria Cagepa, aparecem constantemente para retirar amostras de água.

A população também se queixa da poluição causada por fábricas instaladas na região. Os pescadores afirmam que resíduos como esgoto e produtos químicos são lançados no rio por essas fábricas, causando mau cheiro.

“Esse rio está uma poluição só, está podre. É um absurdo porque tem muitas famílias que tiram daqui o sustento e ele é nosso, é de todos nós, mas ninguém faz nada”, comentou o agricultor Severino Sabino. Ele afirmou que não pesca mais no local por conta da poluição.

Ajuda

O coordenador da Defesa Civil de João Pessoa, Noé Estrela, contou que tem acompanhado o caso e recebeu vídeos de pescadores que mostram peixes, camarões e cobras mortas no rio. “Pegamos amostras e estamos procurando um laboratório para realizar testes”, disse o coordenador da Defesa Civil.

Noé Estrela contou que a Defesa Civil vai distribuir cestas básicas para 20 famílias de pescadores que estão passando por dificuldades por não poder pescar.

Sem contaminação

A Cagepa voltou a afirmar que a água do rio não foi contaminada com soda cáustica e que, desde o momento do acidente, a empresa tem feito o monitoramento do Rio Gramame e que análise da água mostra que o PH está em condições normais. A Cagepa informou ainda que “foi formada uma comissão interna para apurar as causas do acidente, visto que o equipamento foi adquirido há pouco menos de cinco anos. A empresa fornecedora do tanque cilíndrico já está sendo acionada para emitir explicações”.

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