domingo, 19 de maio de 2019
Água
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População reclama de falta d’água e Cagepa diz que interrupção é para manutenção

Lucilene Meireles / 17 de agosto de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
Vou dormir de madrugada lavando roupa. E, para me prevenir, deixo os baldes cheios sempre. Acho isso um absurdo”. O desabafo é da comerciante Cláudia Xavier, que mora no bairro João Paulo II, Zona Sul de João Pessoa. A localidade está entre as que mais registraram falta d’água em João Pessoa, com base nos últimos dez avisos emitidos pela Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa).

O problema foi confirmado pela atendente Nadja Gomes da Silva, que também mora no bairro. “Falta água diariamente e, para quem mora aqui, já virou rotina. Não é fácil conviver com essa situação. Temos que ter vários baldes e reservatórios pela casa para não ficar sem”, relatou. No bairro Funcionários II, o autônomo Francisco Ronaldo Patrício afirmou que falta com frequência, principalmente nas ruas mais altas, próximas à igreja católica. “Aqui em casa, quando não falta, fica bem fraca no final da tarde e mal sobe no chuveiro”. Para se precaver, ele disse que tem tambores onde armazena água.

Alguns bairros não constam nos últimos avisos de suspensão do fornecimento de água, mas nem por isso deixam de penar com os constantes cortes. No Alto do Mateus, Zona Oeste da Capital, o problema se repete todas as noites e não há nenhum aviso para que a população possa fazer suas reservas. A dona de casa Maria José da Silva Teixeira contou que há até um horário certo para as torneiras ficarem sem água. “Falta às 18h e, o pior é que só chega por volta de meia noite, uma hora da madrugada. Como não tenho caixa d’água, tenho que encher baldes, todos os reservatórios possíveis. É um sofrimento e não tem aviso se vai faltar”, reclamou.

No bairro de Cruz das Armas, a aposentada Lúcia Ramos garantiu que o problema é constante. “Não recebemos aviso de que vai faltar. Simplesmente falta e nós temos que estar sempre com os depósitos cheios para não sofrer ainda mais.

A técnica de enfermagem, Estefânia de Oliveira, morou muitos anos no Rangel e lá faltava água quase toda semana, inclusive nos finais de semana. “Minha irmã continua morando lá e o problema não foi resolvido. Ninguém avisa se vai ou não faltar. Por conta disso, ela tem tonéis para guardar, porque tem crianças em casa”, disse.

Esclarecimentos

Através da assessoria de Comunicação, a Cagepa encaminhou nota, esclarecendo que na maioria das vezes, as faltas de água ocorrem por duas razões. A primeira é pela necessidade de intervenção programada no sistema para realização de serviços de manutenção preventiva (que inclusive são informadas previamente à população); a segunda para execução de retirada de vazamentos na rede de distribuição.

Ainda segundo a nota, nos itens se incluem as interrupções ocorridas nos últimos dias, nos bairros de Mangabeira (manutenção preventiva) e Cruz das Armas (retirada de vazamento), na Capital, assim como em bairros de Bayeux e Santa Rita.

No caso específico do Alto do Mateus, a Cagepa já está ciente da intermitência que vem ocorrendo no abastecimento de água de parte do bairro. Equipes da empresa já estão trabalhando para resolver o problema causado por desequilíbrio no sistema. A previsão é para que o caso esteja solucionado dentro dos próximos 15 dias. No caso dos bairros do Geisel, Costa e Silva, Ernani Sátiro, Funcionários (II, III e IV), Grotão, Esplanada e João Paulo II, a Cagepa está realizando obras de reforço na rede.

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