quarta, 03 de março de 2021

Água
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Fim do racionamento em Campina Grande divide opiniões

Francisco Varela Neto / 21 de agosto de 2017
Foto: Antônio Ronaldo
O fim da racionamento de água na cidade de Campina Grande, que foi anunciado pelo governador Ricardo Coutinho (PSB) nesta segunda-feira (21) na sede da Gerência Executiva da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), tem causado muita polêmica e divergências. Os que são contra acreditam que a decisão é única e exclusivamente política e seria uma tentativa de promover o nome do governador. Os que são a favor defendem que critérios técnicos estão sendo utilizados para a tomada da medida. Ricardo antecipou o fim do racionamento para a próxima sexta-feira (25), mas a juíza Carmen Pereira Jordão deferiu liminar da Defensoria Pública do Estado e determinou a permanência do racionamento .

O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), classificou a decisão do governador como um insulto aos cidadãos campinenses. Segundo ele é uma tentativa do governador de se promover, em cima do sofrimento do povo.

"Eu vejo com muita tristeza, porque alguém que sai do palácio da redenção e vem insultar os campinenses, porque o problema não é o fim ou não do racionamento, é a forma, é o modelo de tentar fazer política e crescer politicamente no sofrimento da população campinense e paraibana. desde quando chegou a transposição eu disse em alto e bom som que se o volume que está sendo destinado a Boqueirão é superior, é o dobro do que está sendo consumido, já se recomendava naquele período o final do racionamento", afirmou o prefeito ao programa Correio Debate da rádio 98FM/Correio Sat.

O professor Francisco Sarmento, que já foi Secretário de Recursos Hídricos da Paraíba e é doutor em recursos hídricos, afirmou que a decisão tem suporte técnico. "O que o Estado adotou em termos de critério para determinar o fim do racionamento é um critério claro que tem suporte técnico. É uma escolha técnica e ela está caracterizada pelo seguinte fato: eles estão apostando todas as fichas na funcionalidade, na confiabilidade do eixo leste da transposição, ou seja, que ele vai continuar fornecendo água, embora de maneira muito oscilante de vazões. É um critério técnico claro, que mesmo se nós tomássemos a média da vazão fornecida pelo eixo leste, que adentra e que faz com que o reservatório hoje aumente o seu nível, embora lentamente, mas que aumenta a cada dia, sem dúvida isso é defensável", disse o professor também em entrevista ao Correio Debate.

Do ponto de vista do empresariado campinense, a decisão é vista com muita contrariedade. O presidente do Sindicato da Indústria Gráfica da Paraíba e diretor financeiro da Federação das Indústrias da Paraíba, Marcone Rocha, disse que várias empresas têm intenção de se instalar em Campina Grande, mas têm receio pela insuficiência de água.

"Isso é uma coisa absurda, isso não existe, não há condição nem necessidade de acabar este racionamento. Os empresários são contra, não existe água suficiente ainda para manter as indústrias da cidade. Existe indústria que quer se instalar em campina grande e está com medo de vir porque a água é insuficiente", afirmou.

E acrescentou que sua opinião está condizente com a opinião dos empresários campinenses. "Essa minha opinião está condizente com aquilo que os CDL (Clube de Diretores Lojistas) lançou uma nota informando que é contra o racionamento e é o que a maioria dos empresários de campina grande acha", disse Marcone.

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