quinta, 24 de janeiro de 2019
Água
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Água de Boqueirão tem cheiro e gosto e atrapalha restaurantes

Renata Fabrício / 18 de julho de 2018
Foto: Chico Martins
Bares, restaurantes e o setor hoteleiro suspenderam a utilização das águas distribuídas pela Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) no preparo de alimentos. O motivo é o mau cheiro e a falta de insipidez na água, denunciada por moradores de vários bairros. A Cagepa iniciou a complementação do tratamento com carvão ativado, diretamente na estação inicial, na última quinta-feira, mas um novo coagulante será adicionado à água para aumentar a eficácia, já que em alguns locais os relatos de mau cheiro continuam.

De acordo com o presidente do SindCampina (Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Campina Grande e Interior da Paraíba), Divaildo Júnior, a suspensão do uso da água no preparo de alimentos é uma estratégia de mercado. Campina Grande possui atualmente 3,2 mil leitos.

Segundo o gerente regional da Cagepa, Ronaldo Meneses, o problema se deve a uma transformação no ecossistema da bacia de Boqueirão, que começou desde que o açude chegou ao nível mínimo e logo em seguida recebeu as águas do Projeto Integrado do Rio São Francisco (Pisf).

“Algumas pessoas começaram a informar uma mudança de odor e sabor da água. Fomos até o local, pegamos uma amostra da água e levamos ao laboratório da própria Cagepa. Fizemos as análises rotineiras e concluímos que as características continuavam as mesmas, com diferença do odor e sabor. O odor lembrava mofo e terra. Como outras características não mudaram, vimos que não era na rede da Cagepa ou estação de tratamento. Mandamos amostras ao Laboratório de Ecologia Aquática da UEPB e verificou-se que haviam surgido algas que estariam produzindo substâncias que causavam essa característica de odor e gosto ruim”, explicou.

Não é prejudicial

Segundo ele, a substância que é resultado de um processo ecológico, não é prejudicial à saúde. “A substancia que gera o odor e sabor de mofo é a geosmina. Ela é liberada, modifica odor e sabor, mas não causa danos a saúde da população. A solução para matar essa substância é retirando as células que a produzem. Não é algo simples. A complementação do tratamento começou a ser feita com o carvão ativado e já houve uma diminuição do odor, mas a gente vai potencializar o tratamento com um polímero, um novo coagulante que vai atuar junto com o sulfato. Não há previsão para que isso possa ser visto. A gente aplica, monitora e acompanha, mas a rede é grande e há uma série de variáveis”, afirmou.


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