terça, 26 de janeiro de 2021

Aedes
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Pneus jogados no lixo viram ‘hotel’ para o Aedes aegypti

Lucilene Meireles / 31 de janeiro de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
Pelo menos 427 pneus foram recolhidos por dia, em 2016, pela Autarquia Municipal de Limpeza Urbana de João Pessoa (Emlur). O material, de borracharias e terrenos baldios, é armazenado em um galpão e depois reciclado pelo setor de Coleta Seletiva.

O trabalho é de combate à proliferação do Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. Porém, mesmo com a ação semanal, pneus continuam sendo descartados ao ar livre, servindo de criadouro do mosquito e colocando em risco a saúde da população. Este ano, cerca de 600 pneus foram coletados.

Um dos locais onde os pneus são jogados é no Distrito Mecânico. Também são encontrados latas, copos descartáveis, garrafas de vidro e PET, sacos plásticos que acumulam água.

O funcionário público Nelson Oliveira disse que um carroceiro recolhe o lixo diariamente nas oficinas e despeja tudo num terreno baldio que fica bem próximo. “Na rua onde moro, a Sebastião de Oliveira Lima, várias pessoas acabam trazendo o lixo para cá quando a coleta atrasa”, contou. O sucateiro Galdino Vasconcelos disse que o lixo e pneus são levados pela Emlur. Porém, reclamou que a coleta regular não chega ao local. “Sou candidato à presidente da Associação dos Moradores e um dos meus pedidos será a limpeza total do terreno e a liberação para construir novas oficinas. Cada um faria o seu box. O negócio é ocupar a área e não terá mais lixo”, ponderou.

Situação da dengue. João Pessoa, no último Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), apresentou índice de infestação predial de 0,3. Somando-se os casos confirmados de dengue, zika e chikungunya, em 2016, a cidade registrou 10.058 ocorrências.

Lixo também preocupa

A Emlur informou que o número de pneus deixados em terrenos baldios diminuiu desde julho de 2016, quando foram recolhidas 48 toneladas. Em agosto, foram 24 toneladas, mesma quantidade de maio. E uma ressalva é que, como há demandas de várias borracharias, a coleta semanal não é feita nos mesmo lugares. A cada semana são pedidos diferentes.

“A população está mais consciente sobre o descarte irregular, já que os pneus podem se tornar locais para criadouro do mosquito transmissor da dengue. Outro fator é que por conta da crise econômica, as pessoas estão utilizando os pneus por mais tempo”, disse Josué Peixoto. O galpão onde os pneus são armazenados fica no interior da antiga fábrica Matarazzo, no Varadouro, e foi cedida à Prefeitura pelos proprietários do imóvel.

A Emlur também encontra muitos objetos como copos descartáveis, vasilhas plásticas, garrafas PET ou de vidro, ou seja, recipientes que acumulam água e podem se tornar criadouros do Aedes aegypti. Por isso, a Autarquia pede que a população coopere no descarte adequado de resíduos.

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