sábado, 20 de julho de 2019
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Açude de Boqueirão completa 13 dias sem água da Transposição

Wênia Bandeira / 13 de fevereiro de 2019
Foto: Chico Martins
Já são 13 dias sem bombeamento de água da Transposição do Rio São Francisco para o açude Epitácio Pessoa, na cidade de Boqueirão, que abastece Campina Grande e mais 18 cidades. Antes disso, o manancial já estava com repasse mínimo sendo recebido e vinha caindo a carga desde abril do ano passado, mas a chuva garantiu um ganho de 1,7 milhão de metros cúbicos em dois dias.

De acordo com o presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), Porfírio Loureiro, o açude está contando apenas com o período chuvoso para obter recarga. Ele ainda declarou que não recebeu explicações para a paralisação no bombeamento.

“Contamos com o São Francisco por algum tempo, mas agora temos apenas São Pedro. Desde o dia primeiro, Boqueirão não recebe uma gota sequer de água da Transposição e nós pedimos explicações, mas nenhuma resposta foi dada”, contou o presidente da Aesa.

Porfírio Loureiro informou que este ano ainda não teve reunião a respeito da Transposição, por este motivo, não há conhecimento sobre o que vem acontecendo. Iria acontecer uma reunião do Conselho Gestor do São Francisco em janeiro, mas a tragédia ocorrida em Brumadinho adiou o encontro ainda sem data para ocorrer.

Em contato com o CORREIO, a assessoria de imprensa do MIN informou que está acontecendo apenas uma “variação do volume de água entregue pelo Eixo Leste do Projeto de Integração”, mas que isto “não prejudica o abastecimento da população da Paraíba atendida pelo sistema”.

A nota ainda explica que esta variação se deve a “ajustes e verificações do funcionamento dos equipamentos hidromecânicos, realizados durante a pré-operação do sistema”. O MIN não falou sobre retorno a normalidade do bombeamento.

O açude de Boqueirão conta com 85.440 bilhões de metros cúbicos, o equivalente a 20,75% de sua capacidade. O manancial voltou a perder volume após o ganho obtido com as chuvas entre os dias 6 e 9 deste mês.

"Dia 21 teremos uma reunião com os 27 Estados brasileiros e esperamos que seja marcada reunião do conselho gestor entre o Ministério da Integração Nacional (MIN) e os Estados que recebem a água da Transposição. Nesta reunião, vamos questionar novamente sobre esta falta de bombeamento," disse Porfírio Loureiro.

Custo de R$ 600 mi



A água da Transposição do Rio São Francisco deverá custar em torno de R$ 600 milhões ao ano para os estados da Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, que fazem parte do sistema, nos Eixos Leste e Norte. O custo foi orçado pelo Governo Federal e a forma de pagamento deverá ser discutida entre os participantes em março.

"Nosso intuito é chegar a um consenso do melhor modelo contratual para o custeio da operação e manutenção do sistema para os governos federal e dos estados atendidos pelo Projeto São Francisco o mais rápido possível. A região Nordeste é uma prioridade do presidente Jair Bolsonaro", destacou o ministro do Desenvolvimento Regional Gustavo Canuto.

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