sábado, 28 de novembro de 2020

Cidades
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74,1 mil estão fora da escola na Paraíba

Lucilene Meireles / 21 de janeiro de 2016
Foto: Rafael Passos
Na Paraíba, 74,1 mil crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos, estão fora da escola, segundo levantamento do movimento Todos pela Educação, com base em números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Para um especialista em educação, os avanços existem. Porém, o problema da criança fora da escola persiste e é preciso combater sempre para que todas tenham, de fato, a oportunidade de aprender.

“É um número alto. Quando a criança vai virando adolescente, vai sendo pressionado a trabalhar, para poder estar a par da sociedade de consumo. E aí preferem trabalhar, do que investir no futuro”, constatou Wilson Aragão, especialista em educação e diretor do Centro de Educação (CE), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Ele acredita que é preciso uma política de valorização da educação em todas as esferas. Na federal, conforme analisou, os jovens têm procurado as escolas técnicas. Já no sistema estadual e no municipal, a procura é menor. Ele avalia: “Talvez isso aconteça porque as pessoas esperam que a escola dê uma expectativa melhor de inserção no mercado de trabalho.

O adolescente José Carlos (nome fictício), 16, parou de estudar quando cursava o 6º ano e substituiu livros, cadernos e canetas, pelo trabalho nos finais de semana na feira do bairro Grotão, onde mora, na Capital. A justificativa por ter abandonado a escola é a dificuldade para absorver conteúdos, mas Gilyard garantiu que seu objetivo é retomar os estudos.

6,2% é o percentual de crianças de 4 a 17 anos fora da escola no Brasil, o que corresponde a 2,8 milhões de jovens

Inclusão

A partir deste ano, as redes de ensino estão obrigadas a incluir alunos de 4 e 5 anos, segundo a meta 1 do PNE (Plano Nacional de Educação) e uma alteração de 2013 na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). As normas regulamentaram a mudança feita na Constituição por meio da Emenda Constitucional nº 59, de 2009.

 

Investimentos e incentivos

A situação da educação merece atenção e mudanças. Na opinião de Wilson Aragão, falta um movimento social que leve a sociedade a compreender os rumos que a educação está tomando. “Se não gasta com educação, vai gastar depois com segurança. Tem que aumentar o investimento em educação para diminuir o investimento em segurança no futuro”, ensinou.

O papel dos pais é fundamental nesse processo, como explicou o especialista. “Eles têm que colocar a criança na escola. É lei. Depois de adolescente, se a criança foi conscientizada antes que a escola é um investimento para seu futuro, vai permanecer. Sem perspectiva, entram na mira de narcotraficantes, que botam dinheiro nas mãos deles para vender drogas. É o dinheiro fácil com a vida curta”, sentenciou.

Na opinião de Aragão, a situação está melhorando e a tendência é de melhorar ainda mais, mas para isso, tem que ter uma conscientização.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba.

 

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