terça, 11 de dezembro de 2018
Bilíngue
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Segundo idioma pode ser aprendido ainda na infância

Bárbara Wanderley / 26 de agosto de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
O inglês tornou-se uma espécie de língua universalmente aceita em todo o mundo e ninguém duvida da importância que o domínio desse idioma tem para a vida acadêmica e profissional. O que muita gente não sabe é que é possível começar a aprender o segundo idioma já na primeira infância, a partir dos três anos de idade, e há muitas vantagens em começar cedo.

“Nessa fase o aparelho fonador da criança ainda está em desenvolvimento, então a pronúncia vai ser melhor no porque ela vai conseguir articular e produzir os sons que são diferentes da língua mãe. A gente trabalha muito a oralidade nessa faixa etária para aproveitar isso. A criança nessa faixa etária aprende com muita facilidade, às vezes você nem precisa ensinar e ela já capta, mas claro que para memorizar ela vai precisar repetir muitas vezes, então a gente também trabalha muito a repetição”, explicou a orientadora pedagógica do Yázigi, Cida Prather.

“Acredito que muitos pais não sabem ainda das vantagens de colocar o filho para começar a estudar tão cedo. Se comparar uma criança que começou a estudar com três anos e uma que começou com 13, a diferença é gritante. Não que um adolescente de 13 anos não possa começar, pode e deve, mas começando mais cedo é muito mais fácil”, comentou Cida.

A primeira infância é considerada a fase da vida ideal para se aprender um novo idioma. Segundo a psicóloga comportamental Mayara Almeida, a plasticidade cerebral torna o aprendizado mais fácil para as crianças que iniciam antes dos 10 anos. “A partir dos três anos, ao entrar em contato com outra língua, elas entendem que existem outras formas de se expressar, ou outras palavras e sons, para se comunicar no dia-a-dia”.

Na visão da psicóloga infantil Ana Xavier, um novo idioma, quando apresentado de forma adequada para cada faixa etária, além de ser absorvido com muita naturalidade, proporciona uma fluência mais rápida e exerce um impacto positivo no futuro da criança; inclusive, quebra o mito de que atrapalha o desenvolvimento da língua-mãe. “Ao contrário, a criança passa a usar melhor o próprio idioma, porque, nesta fase, ela já desenvolve suas habilidades de oralidade”, diz.

No entanto, Ana ressalta a importância de respeitar o tempo, a forma de assimilação e a personalidade de cada criança, evitando compará-las ou pressioná-las.

Segundo a psicóloga Lenita Faissal, o aprendizado no caso de crianças e adolescentes deve ter aspectos lúdicos, dinâmicos e interativos que vão servir para provocar o prazer ao aprender e estar diretamente associado à sua realidade cotidiana. "Se um novo idioma começa a ser aprendido por ela e essa aprendizagem se baseia nas suas vivências cotidianas, abre-se um novo canal de experiências sensoriais, de raciocínio, de compreensão e de formação de novos modelos comportamentais", afirma.

Começaram cedo

A odontóloga Vanine Vieira de Araújo não perdeu tempo e matriculou os filhos, Maria Elisa e João Pedro, no inglês já aos três anos de idade. Hoje as crianças têm 10 e cinco anos respectivamente. “A gente pensou na facilidade, porque quanto mais cedo o convívio com inglês, melhor o aprendizado. Maria Elisa fala inglês bem, ela tem uma facilidade imensa nas pronúncias. Em casa, quando ela vai cantar uma música, a gente percebe que a pronúncia dela é quase que perfeita, o desenvolvimento dela com o inglês foi muito bom”, afirmou.

Nas aulas voltadas para os pequenos, a metodologia é lúdica e adequada para cada faixa etária, até mesmo para não sobrecarregá-los. Com isso, as crianças aprendem brincando, sem perceber o estudo como algo chato. “Aqui é uma coisa bastante lúdica, meu filho vê o inglês como brincadeira, para eles é uma diversão. Todo dia ele pergunta se vai ter inglês, porque para ele é uma brincadeira, uma alegria”, contou Vanine sobre o filho João Pedro.

Para Gabriela Valença, mãe de Alice, 5 anos, o inglês trouxe mudanças significativas para a filha. “Além do conhecimento da língua e da oportunidade de contato com outras culturas, o inglês tem proporcionado uma maior interação dela com a família”, explicou.

Aulas focadas na oralidade

Aos três anos de idade a criança ainda não foi alfabetizada, e por isso mesmo, as aulas para essa faixa etária são focadas apenas na oralidade.

“A criança vai ouvir e reproduzir o que ouve, na mesma forma que faz na língua mãe. O foco é totalmente oral. Só a partir de seis ou sete anos é que se vai introduzir escrita e leitura”, explicou a orientadora pedagógica Cida Prather. Ela afirmou que os professores falam inglês o tempo inteiro com os alunos em sala de aula e garantiu que os alunos entendem.

A orientadora pedagógica destacou que crianças nessa idade têm um tempo de concentração muito curto, dificuldade que é superada com uma rotina dividida em pequenos momentos: a hora da música, a hora da história, a hora dos jogos, entre outros.

Na escola de inglês Red Balloon, especializada no ensino infanto-juvenil, os alunos têm duas horas de aula duas vezes por semana. Também é possível começar aos três anos e a coordenadora pedagógica, Naiara Fracaro, afirmou que, aos 15 anos, o adolescente já é capaz de conseguir o certificado de proficiência em inglês de Cambridge.

Com o slogan “Aprender Brincando”, a escola também aposta em atividades lúdicas para envolver os pequenos com o novo idioma. As aulas contam com música, dança, brincadeiras, culinária e experimentos científicos. “Tentamos aproveitar o conhecimento das aulas que a criança tem na escola comum utilizando o inglês como ferramenta, então as aulas são bastante dinâmicas”, disse Naiara.

“Na sala de aula, tudo é uma brincadeira, mas tudo tem um objetivo. Se o professor pede para o aluno correr para tocar em um objeto de uma determinada cor, a criança não só aprende o nome daquela cor em inglês, como também está desenvolvendo a coordenação motora grossa. A gente tenta aproveitar tudo nessa fase de desenvolvimento, dentro do universo da criança, o material didático é totalmente formatado para aquela idade. Se tiver um personagem de um desenho animado que as crianças gostem, por exemplo, o professor também pode aproveitar isso”, esclareceu Cida.

Sem opção pública

Os pais que têm interesse em matricular os filhos em cursos de idiomas ainda na primeira infância têm que recorrer a escolas e cursos privados. Isso porque as aulas de idiomas oferecidas pelo Centro de Línguas Estrangeiras de João Pessoa são destinadas a alunos a partir do 6º ano do Ensino Fundamental II.

Na Escola Bilíngue Dom José Maria Pires, primeira escola pública bilíngüe do município de João Pessoa, localizada no Alto do Mateus, as aulas também acontecem para alunos a partir do 6º ano.

Já no Centro de Línguas da Paraíba, é possível aprender um idioma a partir dos oito anos de idade ao custo de R$ 200 por semestre, sendo que alunos das redes estadual e municipal de ensino e servidores estaduais na ativa são isentos da taxa, desde que levem uma declaração de matrícula, no caso dos alunos, ou uma declaração de vínculo, no caso dos servidores.

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