terça, 20 de abril de 2021

Acidentes
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Com verão se aproximando, Corpo de Bombeiros alerta para cuidados nas praias

Aline Martins / 21 de novembro de 2018
Foto: Assuero Lima
Oficialmente o Verão ainda não começou, mas os dias têm sido mais ensolarados e o calor intenso. Isso contribui para que muitas pessoas busquem aproveitar, principalmente os fins de semana, na praia, na piscina ou açude com o intuito de se refrescar ou mesmo só por diversão. Porém é preciso ficar atento e redobrar os cuidados, em especial com as crianças e os adolescentes.

Este ano, conforme o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), 12 pessoas entre 1 a 14 anos de idade morreram vítimas de afogamentos em água naturais ou piscinas na Paraíba. Em 2018, até a última segunda-feira, o Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba (CBMPB) registrou, de forma geral, 30 afogamentos com óbito, 30 afogamentos sem óbito e 119 resgates aquáticos. Somente de mortes totais contabilizadas pelo CBMPB, a quantidade já é pouco mais de 3 vezes maior que o total do ano passado.

O afogamento pode ocorrer de duas formas, de acordo com a capitão Vivicléa Aneyronis, da seção de Relações Públicas e assessoria de imprensa. Pode ser primário que ocorre quando o banhista desrespeita as orientações quanto o local (profundidade, correnteza, existência de galhos ou pedras submersas) ou dos cuidados a serem tomados durante a sua permanência na água. Enquanto o secundário acontece em decorrência de alguma causa que impediu a vítima de se manter na superfície e em consequência levou a vítima a se afogar, a exemplo do uso de drogas (mais frequente o álcool), convulsão, traumatismos entre outras.

“Existem seis níveis de afogamento, iniciando o primeiro apenas com tosse sem espuma na boca ou no nariz e evoluindo até o último grau quando a vítima já apresenta parada cardiorrespiratória. Ainda é válido mencionar o resgate, quando a vítima não apresenta tosse, sendo apenas uma dificuldade de se manter na superfície ou retornar à margem. Após o grau 6, caso a vítima já esteja com tempo de submersão superior a 1h, aproximadamente, rigidez cadavérica ou em decomposição corporal e/ou livores considera-se óbito”, explicou a capitão.

Ela destacou que nem sempre o afogamento resulta em morte, pois, de acordo com a militar, quando a vítima recebe o atendimento imediato e são realizados os devidos procedimentos, e quanto menor o grau de afogamento, há o aumento de chances de recuperação da vítima e de ela não chegar a morte.

No caso das áreas do Litoral paraibano que oferecem risco, capitão Vivicléa Aneyronis destacou alguns motivos. “Os fatores de riscos são diversos, mas pode-se falar dos locais próximos aos maceiós, onde as correntes estão sempre mudando e quando a correnteza do maceió leva as águas para o mar ou vice-versa, ela aumenta consideravelmente e muitos banhistas tendem a subestimar essa mudança, bem como subestimam a força da correnteza gerada por essa mudança”, afirmou, ressaltando que outro fator de risco são as chamadas valas que são geradas por um comportamento atípico das correntes marinhas e normalmente as pessoas não as reconhecem.

“Nestes locais, a correnteza tende a puxar o banhista para áreas mais profundas e as pessoas tentam sair enfrentando a força da corrente ao invés de tentarem sair primeiro da vala para depois da saírem do mar”, disse.

A capitão também explicou outro fator de risco como o aprofundamento abrupto do solo, que ocasiona um declive acentuado do solo da praia, causada, por exemplo, na zona de arrebentação da onda (onde a onda “quebra”).

“É possível também elencar os bancos de areia que se formam e os banhistas que se deslocam até este banco têm uma falsa sensação de segurança. Quando tentam se deslocar para locais mais profundos, o mar conduz o banhista para outro local e o banco de areia não é mais localizado”, disse.

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