quinta, 22 de outubro de 2020

Acidente
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Homem atropela duas mulheres na orla de Cabo Branco

Lucilene Meireles / 16 de março de 2018
Foto: Divulgação
“Tem que haver uma lei mais rigorosa e educação no trânsito”. A declaração é do superintendente do Departamento Estadual de Trânsito da Paraíba (Detran-PB), Agamenon Vieira, ao falar sobre o atropelamento de duas mulheres que caminhavam na orla do Cabo Branco, no início da manhã dessa quinta-feira (15), por um motorista supostamente alcoolizado. Para ele, a punição atual não estão inibindo os infratores como deveria. A Lei Seca, que deveria intimidar os motoristas bêbados, foi um dos assuntos discutidos no 60º Encontro Nacional dos Detrans (END), que reúne órgãos de trânsito de todo o País e termina nesta sexta-feira (16) na Capital paraibana.

“As pessoas ainda insistem em misturar direção com álcool e acaba acontecendo tragédias como essa”, observou o titular do Detran-PB. Por conta do END, na noite de quarta-feira, representantes desses órgãos acompanharam uma demonstração da atuação dos agentes na Operação Lei Seca. A equipe ficou até 2h para observar como é feito o trabalho. Mas a fiscalização não evitou o acidente. “A gente sabe que o Detran não pode cobrir os 223 municípios, mas nas grandes cidades, estamos com a Operação Lei Seca e, lamentavelmente, quando voltam os agentes com todo esse povo que estava lá nas vias, acontece esse fato”, lamentou. As vítimas do acidente e o motorista foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena.

Segundo Agamenon, o ideal seria a municipalização do trânsito e, para isso, o Detran está acionando o Ministério Público. Ele afirmou que, no país inteiro, a Constituição orienta que os municípios façam a municipalização, o que promoveria uma vigilância maior. “Sempre digo que antes de grande punição, temos que ter educação para o trânsito a partir do ensino fundamental I e II, no ensino médio e dentro das universidades. Hoje o trânsito não é o de 1970. As vias estão tomadas de carros, obstruindo a mobilidade humana. A gente observa que, para uma infração de alguém que está bebendo alcoolizado, a multa é R$ 2.934,70, 12 meses sem poder dirigir, vai ter que voltar à autoescola, mas isso, que muita gente acha que é duro, não está inibindo como deveria, essas pessoas que querem dirigir sob efeito de álcool”, acrescentou.

Estava sob efeito de álcool

O acidente aconteceu no início da manhã de ontem, quando Maria Cristina de Melo Rocha, de 62 anos e Isabella Cristina Amorim de Lucena Lima, de 43, funcionária da UFPB, praticavam atividade física na Avenida Cabo Branco e foram atropeladas pelo veículo, dirigido por Willver Yurik, de 24 anos. Testemunhas disseram à polícia que o motorista apresentada sinais de embriaguez e foi visto saindo de um bar na orla.

Após atropelar as mulheres, o condutor fugiu em alta velocidade a acabou capotando na rua paralela, ficando preso dentro do carro e precisando ser socorrido. Levado para o Hospital de Trauma, para ser atendido sob custódia, Willver foi ouvido mais tarde e confessou ter ingerido bebida alcoólica, mas alegou ter sido vítima do golpe “boa noite cinderela”, atribuindo o atropelamento à ingestão da suposta droga na bebida.

Ele foi autuado em flagrante pelos crimes de dirigir sob efeito de álcool, lesão corporal com uso de veículo e omissão de socorro após acidente, podendo ser condenado a uma pena de mais de 6 anos de detenção.

Debate

A segunda edição do Simpósio “O Direito e o Trânsito”, acontece hoje, na Capital, das 9h às 16h no Fórum Cível, em Jaguaribe. A primeira parte do evento tratará o papel da imprensa na educação para o trânsito. Em seguida, gestores irão discutir a formulação de leis efetivas para o ordenamento do trânsito, principalmente com o uso de motocicletas.

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