terça, 24 de novembro de 2020

Abandono
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Patos recebe mais de mil animais abandonados em cidades vizinhas

Renata Fabrício / 05 de setembro de 2018
Foto: Cícero Araújo
“Precisaremos de 10 anos para resolver o problema dos animais abandonados em Patos”, é o que acredita o secretário de Agricultura do município, João Paulo Lacerda. Ele estima que no último ano, a cidade tenha recebido mais de mil animais abandonados por populações de sete cidades do entorno. Somente no abrigo municipal estão 350 bichos entre cães e gatos, mas a superpopulação de animais de rua é a grande preocupação. Um morador da zona rural que cuida sozinho de 90 cães em um terreno invadido terá que deixar o espaço e desde o fim de semana a ONG Adota Patos tenta mediar a situação para evitar a soltura dos bichos.

De acordo com o presidente do Adota Patos, Rafael Gomes, voluntários tentam um acordo com o dono do terreno, mas o problema é generalizado.

“O dono desse terreno é um acumulador de animais que não são castrados. Estamos tentando um acordo para que o dono do terreno deixe uma parte cercada para os animais, mas essa situação não está resolvida ainda. A cidade tem muito animais de rua. Não temos centro de zoonozes. E estava previsto para começar a construir em setembro, mas até agora ninguém sabe nem onde vai ser. Temos uma Universidade Federal com curso de Medicina Veterinária, mas não existe nenhuma parceria por parte dos poderes públicos e a situação é precária. Hoje encontramos matilhas com pelo menos 30 cães nas ruas”, disse.

Para a Prefeitura, ainda há um longo caminho a percorrer em busca de resolver o problema. Educar a população quanto à importância da castração e das leis ambientais que penalizam abandono e maus -tratos é um começo.

“Quando anunciamos que o município iria tomar de conta do abrigo para ter um controle maior, que antes era feito por uma associação, as cidades vizinhas soltaram animais no nosso perímetro urbano. Cerca de sete municípios simplesmente abandonaram seus animais e mapeamos que os bairros que estão nessas áreas de saída da cidade, começaram a aglomerar bichos que não faziam parte dali”, explicou o secretário.

Segundo ele, a matança de animais que aconteceu este ano no município de Igaracy foi uma dessas tentativas sem sucesso de abandonar os animais em cidades vizinhas. “Para se ter uma ideia, aquele problema que aconteceu em Igaracy, uma das explicações que chegou a nosso conhecimento, é que aqueles animais seriam trazidos para cá, mas nem contato com esse pessoal nós tivemos e nem essa seria nossa forma de resolver o problema. Temos uma estimativa que de um ano pra cá cerca de mil animais foram soltos próximo a Patos. Por sermos a maior cidade do entorno, sobrou para a gente esse ônus. Estamos numa luta histórica e que, como sempre falo, a gente não resolve em menos de 10 anos. É um trabalho de educação com a população e da nossa parte em castrar os animais e construir um centro adequado”, acredita.

Planejamento

O projeto de construção do Centro de Zoonozes da cidade está em fase de finalização, de entrega de documentos para recebimento dos recursos e início à licitação, segundo informações repassadas pela Prefeitura. A previsão é de que a partir do início da licitação, as obras sejam concluídas em 12 meses.

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