quarta, 13 de dezembro de 2017
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Comerciantes da UFPB recebem notificação com prazo de 45 dias para deixar os espaços

Bárbara Wanderley / 08 de agosto de 2017
Foto: NALVA FIGUEIREDO
Com os olhos marejados, o comerciante Genivaldo Fernandes Barbosa, de 69 anos, fala dos quase 30 anos de trabalho em uma lanchonete no Centro de Vivências do Campus I da Universidade Federal da Paraíba. “Estou aqui desde junho de 1988. Nunca deixei de abrir nenhum dia durante esse tempo. Só fiquei sem trabalhar uma vez, porque fiz uma cirurgia e tive que ficar 15 dias em repouso, mas não fechamos, minha esposa ficou aqui”, contou. Há alguns dias, o comerciante recebeu uma notificação que lhe dá 45 dias de prazo para desocupar o espaço. “Não sei o que vou fazer”. Comente no fim da matéria.

O prefeito interino da UFPB, Francisco Pereira, afirmou que os espaços comerciais existentes na instituição deverão ser 100% desocupados para depois serem reocupados através de processo licitatório. “Já aconteceram licitações para os campi de Mangabeira, Santa Rita, Rio Tinto, Mamanguape, Bananeiras e Areia. O de João Pessoa tem um lote aberto para o dia 14”, disse.

Segundo Francisco, no dia 14 de agosto serão licitados 17 espaços, sendo seis lanchonetes, nove copiadoras e duas papelarias/livrarias. Ele explicou que os primeiros espaços licitados são os que já se encontravam desocupados. “Em seguida serão licitados os que estão em débito, que já têm ordem de reintegração de posse, e só depois os que estão com o pagamento em dia”, comentou.

Ele acrescentou ainda que todos os comerciantes podem participar da licitação, desde que na condição de pessoa jurídica. “Muitos estão atualmente como pessoa física”, disse. Genivaldo, entretanto, acredita que não tem condições de concorrer de igual para igual no processo. “A gente não pode dar um lace melhor porque a gente já conhece a situação daqui. Tem recesso, tem greve, não abre no fim de semana, o movimento não é constante”, avaliou.

O comerciante contou que alguns professores e funcionários, assim como a Defensoria Pública da União, têm buscado alternativas para ajudar todos a permanecer em seus negócios. Francisco Pereira garantiu, porém, que pelo princípio da isonomia, eles não podem ter nenhum tipo de preferência no processo licitatório.

“Sabemos que existe um problema social, mas também temos um problema de legalidade que precisa ser resolvido”. Francisco destacou que no ano passado, a UFPB entrou em um acordo com o Ministério Público que deu o prazo até o mês de outubro para que a situação seja regularizada.

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