segunda, 24 de setembro de 2018
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Energia solar pode ser o futuro da Paraíba

Mislene Santos / 01 de setembro de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
A Paraíba tem o potencial de produzir duas vezes mais energia elétrica do que a que é consumida, atualmente, em todo o Brasil. Para que isto se torne realidade, basta implantar o sistema de energia solar nas áreas que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estão degradas. Este e outros temas ligados ao setor de recursos hídricos estão sendo discutidos nesta quinta-feira (01) e sexta (02) no seminário “A crise Hídrica no Semiárido Paraibano”, realizado no Tribunal de Conta do Estado (TCE-PB).

Um dos coordenadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Paulo Nobre destacou o potencial do estado na geração de energia elétrica.  “Se as áreas degradadas fossem cobertas com painéis fotovoltaicos, o Estado geraria o dobro de toda energia elétrica consumida no País. Isso com tecnologia atual que o rendimento é 10% , nem é ainda os 30% que os Israelenses já usam”, afirmou o estudioso.

Ele explicou que para que isso se torne realidade basta a elaboração de um programa de incentivo, para que os proprietários dessas áreas possam se tornar grandes produtores de energia elétrica. “Outra grande vantagem dessa forma de geração de energia é que não há impacto ambiental algum”, destacou o estudioso.

Paulo Nobre ressaltou que há uma grande mudança de paradigma nesse processo, pois pela primeira vez, se existir um programa de estado como este, o pequeno produtor se tornará tão importante como o grande produtor de energia elétrica.  Segundo ele, para que isso ocorra é preciso ter vontade política, pois atingirá os grandes produtores de energia elétrica do país.

Vantagens

De acordo com Paulo Nobre, atualmente, uma área de um hectare de rende cerca de R$ 1.800, 00, por ano e se na mesma área for implantado painel solares renderia aproximadamente de R$ 50 mil, por ano, com a geração diária de energia. “É um dado assustador”, disse Nobre.

Má gestão das águas

O presidente do TCE, Arthur Cunha Lima, disse que a má gestão das águas no Estado é a responsável pela crise hídrica que a Paraíba enfrenta. Segundo ele, desde 2013 técnicos do Tribunal constataram esse problema, mas nada foi feito para mudar a situação que foi se agravando cada vez mais ao longo do tempo.

“Isso fez com que o açude Boqueirão chegasse a menos de 8% da sua capacidade. Com todos os agrotóxicos, com toda salinidade da água, com todo o aumento de cidades a serem abastecidas por ela, chegou num momento que não teve mais como que traçar metas e soluções rápidas”, afirmou o presidente.

Arthur Cunha Lima lembrou que, recentemente, houve uma reunião em Brasília com os presidentes de Tribunais de Contas do Brasil inteiro com o presidente Michel Temer. “Na ocasião, o conselheiro Fábio Túlio cobrou do presidente da República providências, especialmente, para a questão da falta de água em Campina Grande, que é o grande calo da Paraíba".

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