segunda, 18 de junho de 2018
Política
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Realidade: falta ética à maioria dos políticos

André Gomes / 05 de junho de 2016
Foto: Divulgação
O Senado Federal é hoje o palco de um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) que divide opiniões em todo o Brasil. Além disso, muitos deputados e senadores são questionados pela população por envolvimento em corrupção. Analisando o atual momento político brasileiro, dois senadores paraibanos afirmam que falta ética na política e em muitos políticos.

“Acredito que falta uma coisa de escrita pequena, mas de grande valia: ética! Essa é a real necessidade a que estamos pagando o preço - diga-se de passagem, “caro”.”. Foi o que disse Kaique Porto Almeida, 17, representante da Paraíba no projeto Jovem Senador, ao ser questionado sobre os escândalos de corrupção envolvendo políticos.

De acordo com a lei, para se eleger, o senador precisa ter pelo menos 35 anos e ser filiado a um partido político. Uma vez por ano, porém, o Senado abre uma exceção e dá posse aos chamados jovens senadores. São 27 adolescentes saídos de todos os cantos do Brasil, alunos de escolas públicas. Eles têm no máximo 19 anos e não precisam de partido.

Para Antônio Júnior da Silva Júnior, outro jovem senador paraibano, a falta de ética e compromisso com a população fez com que o Brasil chegasse ao ponto de enfrentar uma grave crise econômica causada por uma crise política, onde, segundo ele, os envolvidos usam as prerrogativas de parlamentar para evitar investigações e até prisões.

E quem pensa que a crise política e econômica no país, bem como a falta de ética de muitos parlamentares fizeram os jovens senadores desistirem de ingressar na vida pública, se engana. O atual momento por que passa o Brasil apenas leva estímulo aos dois paraibanos.

Antônio continua sonhando em chegar ao Senado para resgatar a imagem do Congresso. “Lá ainda tem muitos homens de bem, mas precisamos de mais”, disse. Já Kaique destacou que “tais acontecimentos me fortalecem ainda mais para continuar e repensar no que se refere à minha formação crítica e cidadã”.

Visão coletiva de revolta

Kaique Porto disse ainda que o título de Jovem Senador é provedor de diversos atributos, os quais proporcionaram uma perspectiva crítica acerca do meio social em que vive. De acordo com ele, lamentavelmente, nos últimos anos, veio sendo construído, no país, uma visão coletiva de revolta frente a uma intensa crise política, algo que traz consequências positivas, mas, ao mesmo tempo, negativas à realidade brasileira.

“Se, por um lado, tais manifestações contra a cultura cristalizada do “jeitinho brasileiro” demonstram exemplos nítidos de participação política-cidadã, por outro, acabam criando uma onda violenta de “vale tudo”, em que o extremismo ligado a grupos políticos perpetua. Dessa forma, acredito que o atual momento exija de nós, brasileiros, reflexão”, afirmou Kaique.

Segundo Antônio Gomes, o momento de incerteza política no Brasil piora a situação econômica. “É lamentável o que estamos passando, mas não podemos baixar a cabeça. Temos que buscar alternativas de resolver a situação. Muitas pessoas acham que não tem qualquer responsabilidade, mas se enganam. Todos temos”, observou.

Projetos são apresentados

Jovem-senador-Kaique

O jovem senador Kaique Porto teve um projeto de lei aprovado pelo Senado. O projeto trata da efetivação de um suporte no que tange à orientação vocacional na rede pública de ensino, o que seria traduzido na forma de acompanhamento psicológico, testes vocacionais e estágios com profissionais na área que o estudante pretenda ingressar.

Kaique afirma que o Jovem Senador despertou seu interesse pela Política e foi motivado a participar pela chance que teria de mostrar o que considera passível de melhorias e de aprimoramento para um Brasil melhor - em seu colégio, a mobilização ocorreu como atividade avaliativa da disciplina de Sociologia.

A proposta apresentada por Antônio Gomes e que ainda está em análise pelo Senado, propõe que a Justiça Eleitoral disponibilize um local reservado, no dia da eleição, para que os eleitores possam assinar propostas de iniciativa popular.

“Essa iniciativa vai fortalecer a participação da sociedade nos destinos do país. É importante que todos participem para que possamos construir um Brasil mais justo”, afirmou Antônio Gomes.

Redução de eleitor

O número de eleitores jovens na faixa etária de 16 a 20 anos caiu na Paraíba se comparado os dados divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PB) nos três últimos anos eleitorais, 2012, 2014 e 2016. A redução constatada foi de 17.513 eleitores entre 2012 e este ano.

Devem participar das eleições de outubro no Estado um total de 274.015 jovens entre 16 e 20 anos.

Conforme a Justiça Eleitoral paraibana, os jovens na faixa etária de 16 anos são 36.769; de 17 anos são registrados 46.555 e entre 18 a 20 anos um total de 190.691.

Em 2012, ano de eleições municipais, os eleitores na faixa etária de 16 anos eram 41.557 e os de 17 anos chegavam a 54.416. Já os que tinham entre 18 a 20 anos eram 195.555.

No ano em que ocorreu eleições estaduais, em 2014, o número de jovens paraibanos com 16 anos eram 19.467 e os que tinham 17 anos eram 35.646. Os que tinham entre 18 a 20 anos naquele ano chegavam a 195.663, conforme o TRE-PB.

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