segunda, 19 de fevereiro de 2018
Política
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Processo de impeachment divide opiniões na Assembleia Legislativa

Mislene Santos / 12 de Abril de 2016
Foto: Rafael Passos
A aprovação do relatório que pede o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), nessa segunda-feira (11) na comissão especial que avalia o processo contra a petista, gerou opiniões distintas quanto ao futuro do país na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). Alguns deputados defendem que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) assuma a presidência, outras acreditam que a realização de novas eleições seria a melhor alternativa e há ainda quem acredite que Dilma permanecerá no cargo.

O deputado Anísio Maia (PT) acredita que o impeachment da presidente Dilma Rousseff não será aprovado no Plenário da Câmara no próximo domingo (17). “Nós obtivemos 42% dos votos da comissão. Se isso for levado para o plenário e nós tivermos 35% dos votos sairemos vitoriosos. O impeachment com essa porcentagem de votos não passa. O governo não trabalha com a maioria do Congresso. O governo trabalha para barrar o impeachment”, justificou o petista.

Para o deputado Hervázio Bezerra (PSB), o vice-presidente Michel Temer não tem legitimidade para ascender à Presidência da República, caso impeachment seja concretizado. “Hoje eu vejo que nem a presidente Dilma pode dizer que conseguiu o número necessário para que o impeachment não seja efetivado, como a oposição não pode comemorar absolutamente nada. O jogo, a meu ver, está zerado”, afirmou o socialista.

Do mesmo partido, a deputada Estela Bezerra compartilha do mesmo pensamento de Hervázio. Segundo ela, caso o impeachment seja aprovado, é preciso fazer um revisão da Constituição. “Se uma presidente que não cometeu crime de responsabilidade, se um processo impedimento que não tem amparo legal e constitucional acontece no nosso País quebrou a nossa democracia. Se isso acontecer é preciso fazer uma revisão constitucional e na nossa sociedade”, defendeu Estela.

O deputado Bruno Cunha Lima (PSDB) acredita que a melhor alternativa para o Brasil, com a saída da presidente Dilma é a realização de novas eleições. “O vice-presidente não tem respaldo popular para administrar o País. Deveríamos aproveitar o bojo das próximas eleições municipais para votarmos para presidente, prefeitos e vereadores”, afirmou o parlamentar.

A deputada Olenka Maranhão (PMDB) defende que seja respeitado o que determina a Constituição, no caso de impeachment de um presidente, ou seja, que o vice assuma o cargo. “É o que está previsto constitucionalmente e, em momento algum, o Brasil pode apontar para um caminho que não seja a constitucionalidade, o respeito às leis e o respeito ao Estado democrático de direito.

A mesma defesa foi feita pelo deputado Raniery Paulino, também do PMDB.  Segundo ele, para que sejam realizadas novas eleições é necessário que um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) seja aprovado. “A Constituição não prevê novas eleições neste instante, seria seguir a ordem da linha de sucessão, uma vez ocorrendo o impeachment”, justificou o peemedebista.

Embora seja do mesmo partido de Michel Temer, o deputado Nabor Wanderley defende que em um primeiro momento Temer assuma o mandato e que em seguida convoque novas eleições para presidente. “Para que o povo brasileiro vá as urnas novamente escolher o presidente que possa tirar o País dessa crise que a gente atravessa”, ressaltou o parlamentar.

O mesmo entendimento tem a deputada Camila Toscano (PSB). “Esse não é o meu entendimento, mas é o que a Constituição prevê. Com a aprovação do impeachment quem deve assumir é o vice-presidente Michel Temer, pois é isso que a Constituição prevê”, ressaltou a tucana.

Renato Gadelha (PSC) disse que é muito difícil trabalhar em cima de hipótese, pois não é uma tarefa fácil conseguir os votos de dois terços dos 513 deputados federais. “É difícil conseguir 342 votos para aprovar o impeachment, mas também está sendo difícil para o governo conseguir os 172 votos necessários para manter a presidente Dilma. O futuro a Deus pertence e essa semana será decisiva para País”, afirmou o socialista cristão. Ele lembrou que também pesa contra Michel Temer um processo de impeachment. “Eu sempre defendi e defendo a realização de eleições gerais”.

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