segunda, 16 de julho de 2018
Na Câmara
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Wilson Filho é alvo de operação e nega acusações

Da Redação, com Folhapress e ABR / 31 de maio de 2018
Foto: Marcelo Camargo/ABr
Os benefícios eram concedidos em troca de uma espécie de “mensalão sindical”: apoio político em eleições ou a filiação às centrais controladas pelos parlamentares. Conforme as apurações, deputados ligados ao PTB e ao Solidariedade nomearam aliados no ministério, os quais fraudavam os processos de registro em favor de instituições por eles indicadas.

A operação cumpriu 87 mandados judiciais do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin. Ele determinou as prisões de 23 pessoas, entre elas o secretário-executivo do Trabalho, Leonardo Arantes, e o diretor do Incra Rogério Arantes.

Eles são sobrinhos do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), investigado. Leonardo estava em viagem a Londres e não foi localizado pela PF.

Houve buscas nos gabinetes e nas casas de Jovair e de seus colegas de Câmara Paulo Pereira da Silva (SDD-SP), o Paulinho da Força, e Wilson Filho (PTB-PB). Também foi alvo o deputado licenciado Ademir Camilo (MDB-MG), vice-presidente da União-Geral dos Trabalhadores.

A PF pediu a prisão do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson (RJ), ex-deputado condenado e preso pelo esquema do mensalão do PT. Mas Fachin entendeu que não havia elementos suficientes.

As investigações também citam envolvimento dos senadores Dalírio Berber (PSDB-SC) e Cidinho Santos (PR-MT), flagrados pedindo a servidores da pasta para favorecer entidades. Fachin não autorizou medidas contra eles. A PF viu elementos para a prisão dos congressistas, mas não a solicitou porque detêm imunidade parlamentar.

Mensagens mostram que Paulinho enviou ao ministério lista de entidades a serem favorecidas. Vários casos envolvem o ex-secretário das Relações de Trabalho Carlos Lacerda, indicado por ele.

Deputados negam acusações

Os deputados Jovair Arantes e Wilson Filho negaram envolvimento em irregularidades. Os parlamentares afirmam que não participaram do esquema de indicações no Ministério do Trabalho. Em nota à imprensa, o partido disse que jamais participou de “quaisquer negociações espúrias”.

“A Direção Nacional do PTB declara que, se for comprovado na Justiça o envolvimento de petebistas no referido esquema investigado pela Polícia Federal, os culpados, se houver, devem assumir suas responsabilidades perante a sociedade”, afirmou o presidente nacional da legenda, Roberto Jefferson. Jovair Arantes afirmou que se posiciona em consonância com a direção. Wilson Filho disse que não fez nenhum tipo de indicação política para cargos na secretaria de Registro Sindical ou no ministério, e que está tranquilo. O parlamentar demonstrou apoio às investigações, disse confiar nos órgãos e na Justiça.

Paulinho da Força negou envolvimento. Segundo ele, o Solidariedade não faz indicações para o Ministério do Trabalho. “A minha citação sobre a Operação Registro Espúrio não possui nenhum fundamento, senão criminalizar o movimento sindical como um todo”, disse o parlamentar.

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