domingo, 20 de maio de 2018
Política
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Cunha chama deputados da PB que votaram pela cassação de covardes e hipócritas

Nice Almeida / 21 de setembro de 2016
Foto: Divulgação
O programa Correio Debate, da rádio 98 FM/Correio Sat, entrevistou com exclusividade, nesta quarta-feira (21), o ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha, que teve o mandato cassado. Cunha não poupou os deputados paraibanos Manoel Junior, Aguinaldo Ribeiro e Efraim Filho, que eram seus aliados e que na última hora mudaram seus votos e optaram por escolher a cassação. O ex-deputado chamou os três de "covardes e hipócritas".

Ele revelou, por exemplo, que Aguinaldo Ribeiro (PP), estava com ele na madrugada anterior à votação contando os votos que poderiam livrá-lo da cassação e na hora de votar mudou de opinião. "Não estou aqui para discutir quem ficou contra a mim, quem preste ou quem deixe de prestar, mas o comportamento de Manoel Junior, Aguinaldo Ribeiro e Efraim filho que foram hipócritas. Não posso deixar de realçar a hipocrisia deles", disparou.

Com esses deputados e outros que não são paraibanos, mas que segundo ele, foram hipócritas e covardes mudando de opinião na última hora, não haverá mais relações políticas. "Não sou solidário à hipocrisia, não pretendo ter relações políticas com os que votaram pela hipocrisia e covardia", disse.

E continuou: "Se são incapazes de assumir o que fizeram, eles (os deputados) não têm condições de ser representantes de quem quer que seja".

Sobre Manoel Junior

Manoel Junior também não foi poupado e, para Cunha, a incoerência predominou em sua decisão de votar pela cassação. "Infelizmente Manoel Junior teve essa decisão. Ele não era da tropa de choque, porque não tenho tropa de choque. Eu sou grato por muitas coisas que ele fez, inclusive, foi ele quem conseguiu mudar o relator do meu processo no Conselho de Ética. Por hipocrisia e covardia ele jogou fora tudo que tinha dito, não foi só ele, embora ele seja o mais significante por ele ter sido do Conselho de Ética", alfinetou.

Efraim Filho também entrou para lista negra de Cunha

O terceiro deputado federal que entrou para a lista negra de Eduardo Cunha foi Efraim Filho (DEM). "Efraim que estive com ele em muitos momentos delicados, de denúncias que chegavam e eu o apoiei. Esses três realmente... Manoel Junior, Aguinaldo Ribeiro e Efraim Filho, não posso deixar de realçar a hipocrisia deles", declarou.

A "coerência" de Wellington Roberto e Hugo Motta

Quem ganhou elogios de Cunha foi Wellington Roberto (PR), que sempre o defendeu e manteve seu voto contra a cassação do ex-presidente da Câmara. "Gostaria de deixar meu agradecimento a Wellington Roberto, que foi coerente, de uma correção, que não teve nenhum problema em sustentar sua posição. O povo da Paraíba tem um representante que pode ser orgulhar muito. Da mesma forma Hugo Motta", afirmou.

Cunha jura inocência

O ex-deputado jura que foi condenado inocentemente. "Fui demonizado por fatos que não se comprovarão. A perseguição dos que são aliados, que eram contra o impeachment, que demonizaram minha imagem nos aspectos negativos sem defesa minha. Tenho convicção da minha inocência, porque se não fosse eu autorizar (o impeachment), ela (Dilma) estaria lá até hoje e estaríamos aturando até hoje o PT. P ambiente político ainda está bastante quente e só uma próxima eleição poderá mudar isso", declarou.

O impeachment

Com relação ao impeachment, Eduardo Cunha garantiu não ter se arrependido de ter permitido que a Câmara Federal desse entrada ao processo. "Aí tem a diferença dos covardes e os não. Eu tomei a decisão correta e cujas consequências estavam previamente anunciadas. E não me forcei a tomá-las mesmo sabendo das consequências. Não terei arrependimento. O Brasil está acima de todos nós. Tenho que defender o que for melhor para o país. Ela (Dilma) foi condenada, se eu não tivesse aberto o processo aí sim teria cometido um ato equivocado e o Brasil estaria mais em frangalhos ainda", disse.

Cunha negou que tenha havido demora de sua parte para a abertura do processo. "Eu não estava esperando. O crime de responsabilidade, em mandato anterior, ele não pode ser julgado no próprio mandato. No mandato atual isso se deu com os decretos e quando se apresentou o impeachment com essa finalidade então entendi que aí sim poderia dar entrada. Eu não mudei, quem mudou foi a presidente, se ela não tivesse cometido crime em 2015, não teria dado entrada", explicou.

Livro vai contar bastidores do impeachment

Todos os bastidores do processo de impeachment serão contados em um livro que deve ser lançado já no natal deste ano, segundo Eduardo Cunha. "Nele eu vou contar tudo. Não vou fazer delação. Estrou escrevendo um livro sobre o impeachment para contar todos os detalhes dos bastidores. com certeza virei à Paraíba lançar esse livro em uma noite de autógrafos", informou.


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