quarta, 26 de setembro de 2018
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PT em rota de colisão na Paraíba

Mislene Santos / 20 de julho de 2016
Foto: Divulgação
Cerca de 40 representantes de diretórios municipais do PT que se sentiram prejudicados pela resolução da Executiva Estadual, vetando aliança com dez partidos (PSDB, DEM, PPS, SD, PMDB, PP, PTB, PSC, PSD e PRB), vão recorrer a Direção Nacional para tentar derrubar a decisão.

O secretário geral do Diretório Estadual, Nabal Barreto, disse que os possíveis candidatos do partido serão extremamente prejudicados por essa resolução e, por isso, não acionar a Nacional. “Eles venderam a ideia de que o PT poderia se coligar com esses partidos na chapa proporcional, mas estavam proibidos de se aliar na majoritária. Só que a legislação eleitoral não permite isso”, declarou o petista.

Nabal disse, ainda, que no próximo sábado (23) será realizada uma reunião  com esses representantes para discutir se eles entrarão com um recurso na Direção Nacional de forma conjunta ou cada Diretório entrará isoladamente. “Tem município que há dois candidatos a prefeito que são vetados e o PT vai se coligar com quem?”, indagou Nabal Barreto.

Segundo o petista, o partido tentar mudar as “regras do jogo com o jogo em andamento”, o que segundo ele é extremamente prejudicial, principalmente, aos pré-candidatos dos municípios pequenos. “ A direção estadual demorou muito a tomar esta decisão e não deu condições de os integrantes do PT se adequarem a esta realidade”, disse Barreto.

Intervenção

O secretário de Organização do PT na Paraíba, Jackson Macedo,  disse que o partido fará intervenção na ata de registro de candidaturas dos diretórios que descumprirem a resolução que desautoriza alianças na Paraíba com PSDB, DEM, PPS, SD, PMDB, PP, PTB, PSC, PSD e PRB.

Macedo não acredita que essa medida vá enfraquecer o partido no Estado e disse que “não adianta ter um partido forte numericamente e fraco ideologicamente”. Segundo ele, o PT precisa ser reestruturado e este é o momento ideal.

“Não podemos criar e alimentar cobra para quando ela estiver bem gordinha nos sufocar e nos matar, como fez o PMDB. A atual conjuntura política nos mostrou quem é quem e que não podemos apoiar nenhum partido que apoiou e apóia o impeachment da presidente Dilma Rousseff”, declarou Jackson Macedo.

Não adianta insistir

Jackson Macedo informou que os diretórios municipais de 13 municípios informaram a Direção estadual a pretensão de apoiar o PMDB, 5 querem se coligar com o PSDB, quatro com o Democratas, seis com o PTB, PRB e PSC, ou seja, dois com cada  e um com o PP. “Nós estamos conversando com estes companheiros para que possamos seguir outros caminhos longe destes partidos”, informou o petista.

Ele disse, ainda, que há divergências da decisão tomada pela Executiva estadual, mas espera que o diálogo seja suficiente para pacificar a situação. “Caso contrário, nós temos um estatuto que estabelece condutas a serem seguidas, quem não segui-las será submetido as sansões estabelecidas no mesmo estatuto que prevê até a expulsão entre outras medidas disciplinares”, alertou Jackson Macedo.

O PT pretende lançar candidatura própria em pelo menos 30 municípios.  Na eleição de 2012, o partido conseguiu eleger seis prefeitos, inclusive, o da Capital. Luciano Cartaxo foi o único prefeito de Capital do Nordeste eleito pelo PT.  Ano passado ele trocou o PT pelo PSD.

A resolução

A resolução proibindo as alianças foi aprovada na segunda-feira (19), por unanimidade, pela Executiva Estadual do partido. Antes do processo de impeachment que a presidente afastada Dilma Rousseff enfrenta, esta proibição se resumia ao Dem, PPS e PSDB.

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