quinta, 21 de junho de 2018
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Primeiro debate do Sistema Correio é marcado por ataques entre os candidatos

Adelson Barbosa dos Santos / 22 de agosto de 2016
Foto: Assuero Lima
A RCTV realizou, nesta segunda-feira (22), entre 12h e 13h, o primeiro debate com quatro candidatos a prefeito de Campina Grande: Adriano Galdino (PSB), Artur Bolinha (PPS), Romero Rodrigues (PSDB) e Veneziano Vital do Rêgo (PMDB). O debate, mediado pelo jornalista Milton Figueiredo, foi retransmitido pela Rede Correio Sat e pelo Portal Correio. Logo nas apresentações, eles começaram os ataques pessoais. Bolinha disse que Veneziano e Romero representam o continuísmo político “que tanto mal tem feito a Campina Grande”. Romero afirmou que assumiu a prefeitura em crise financeira, ética, herdada de Veneziano. Disse que recebeu a Prefeitura com salários atrasados, servidores no SPC e a cidade afundada em lixo.

Adriano enalteceu sua família, lembrou a experiência administrativa como prefeito de Pocinhos por três vezes, disse que é cristão e que Campina Grande precisa de algo diferente, para ser uma cidade mais justa, humana e solidária. Veneziano foi logo dizendo que construiu 3 mil obras “que mudaram a cidade”. “Resgatamos a autoestima dos campinenses” afirmou, acrescentando que a cidade, hoje, “vive uma situação desastrosa e precisa de resgate administrativo”.

Bolinha quis saber do prefeito Romero por que a cidade tem tantos mutilados. O prefeito respondeu dizendo que nunca se investiu tanto em saúde e que as supostas mutilações são de competência do Hospital de Trauma do Estado. “Municipalizamos os Hospitais Pedro I e Dr. Edglay, além da AACD. No Isea, investimos mais de R$ 3 milhões e instalamos as UTIs Materna e Neonatal”, disse Romero. Para Bolinha, Romero se esquivou da resposta. O candidato do PPS afirmou que Campina Grande registra 600 amputações por ano e que 70% delas, segundo ele, poderiam ser evitadas. Afirmou que a atual gestão pratica descaso com a saúde pública.

Romero rebateu e voltou a falar sobre os investimentos feitos pela sua gestão na aquisição e municipalização de hospitais, frisando que Campina Grande atende pacientes de 179 municípios da Paraíba e de outros Estados. O candidato Adriano Galdino perguntou a Veneziano como ele avalia a coleta de lixo da cidade.

O peemedebista aproveitou para lembrar o que fez na sua gestão. “Quando assumi a Prefeitura, após 20 anos de um mesmo modelo (alusão ao comando da família Cunha Lima), encontramos um lixão, cujo problema foi solucionado por nós”, disse. Ele afirmou que a atual gestão já enfrentou sete paralisações de servidores que fazem a coleta de lixo.

Adriano voltou ao tema e declarou que o prefeito Romero Rodrigues se referiu ao lixo deixado por Veneziano na cidade e que Veneziano criticou os 20 anos do lixão. Segundo Adriano, os dois – Romero e Veneziano- se acusam porque só pensam em si e levam o interesse coletivo para segundo plano. “É preciso acabar com essa gangorra entre Rêgo e Cunha Lima para que Campina possa melhorar e ser uma cidade mais justa e cristã”, reforçou Galdino.

Veneziano voltou ao tema e declarou: “Quem modificou a realidade de uma cidade inteira não administra pensando em si. Estou aqui para mostrar o que fizemos e o que vamos fazer a partir de janeiro de 2017”. Em pergunta a Bolinha, Romero insistiu em relação ao lixo e limpeza da cidade. “Alguém (Veneziano) anuncia obras que só existem na cabeça de quem não conhece a cidade”. E fez a pergunta sobre habitação.

Bolinha não poupou: “Vivemos em Campina Grande a realidade de duas oligarquias (Rêgo e Cunha Lima) que tiveram oportunidade de fazer e não fizeram e de outra oligarquia (Galdino) de outra cidade. Campina Grande não quer isso. Quer algo novo”. Para não deixar Romero sem resposta, Bolinha disse que o Complexo Habitacional Aluizio Campos foi uma grande obra da atual gestão.

Romero disse que construiu o Complexo Aluízio Campos e que está investindo mais R$ 300 milhões no maior projeto habitacional da história de Campina Grande, com 4,1 mil casas e apartamentos, em 66 ruas e nove avenidas. Mas Bolinha disse que pretende dar continuidade às obras que estiverem corretas e voltou a atacar as famílias Rego e Cunha Lima: “Esses grupos destruíram Campina Grande economicamente”.

Veneziano perguntou a Galdino as propostas dele para a saúde. Adriano afirmou que a saúde de Campina Grande “é um caos e está na UTI”. Veneziano completou: “É uma realidade desastrosa porque não tem médicos, nem medicamentos”. Ele atribuiu o caos citado por Galdino “à incompetência da gestão”. Para Galdino, a saúde de hoje é um caos, “mas também não era boa” na gestão anterior.

O debate foi todo pautado em ataques entre eles quatro. Veneziano disse que pretende reabrir os restaurantes e cozinhas comunitárias. Bolinha disse que fará o mesmo. Romero afirmou que, ao assumir, encontrou os restaurantes fechados e que um deles deve ser reaberto nas próximas semanas.

Bolinha disse que, tudo de bom da gestão municipal terá continuidade. “Não serei mesquinho”, disse ao responde a Veneziano. E acrescentou: “Você fez o Complexo Esportivo Plínio Lemos e o atual prefeito o abandonou”. Mas não ficou apenas nesse elogiou. Segundo Bolinha, Veneziano deixou servidores com salários atrasados, deixou fornecedores sem receber e enfrentou o caso de corrupção do tesoureiro da Prefeitura.

Romero quis saber propostas de Galdino para os servidores e insinuou que o candidato do PSB seria subserviente ao governador Ricardo Coutinho. Galdino assim respondeu: “Vim da superação e da luta. Não tenho herança política, não sou subserviente a ninguém, mas sou grato, amigo e leal”. Romero emendou: “Vou rezar pelos caminhos da Bíblia Sagrada, que é a minha única cartilha e não pela cartilha do governador, que deve dinheiro do Samu e da UPA ao município de Campina Grande”.

Galdino respondeu: “Se você diz que o Governo deve à Prefeitura e você não cobra, é incompetência”. Além disso, ele afirmou que Romero “foi o prefeito que mais desrespeitou os servidores públicos. Já no fim do debate, Veneziano chamou Romero de candidato ladainha. Disse que teve oito prestações de contas aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado e que a Prefeitura enfrenta uma realidade desastrosa, hoje.

Romero foi para o ataque: “Não vim aqui para falar bonito e difícil, mas para falar a verdade: implantei o Plano de Cargos, Carreira e Remuneração da Saúde, o piso salarial para os agentes de saúde e de combate a endemias e para os agentes de trânsito, valorizamos os servidores e pagamos os salários dentro do mês trabalhado”.

Por fim, Adriano provocou Bolinha com a seguinte pergunta: “Qual o legado da gangorra das famílias Rego e Cunha Lima? Bolinha: “Em 40 anos, Campina Grande foi administrada por três grupos familiares (Cunha Lima, Ribeiro e Rêgo). Tiveram oportunidade de fazer, não fizeram e assume compromissos que não cumprirão. Por isso, está na hora de mudar”.

Adriano retrucou: “Bolinha, você tem um discurso decorado, que mostra fragilidade. Você tem fala fácil e sem conteúdo. Só tem casca. Perguntei sobre a gangorra que é ruim para Campina Grande, porque os grupos políticos só estão interessados em defender seus próprios interesses”. Bolinha respondeu que Galdino não tem legitimidade e que o povo de Campina não vai aceitar um candidato imposto pelo governador Ricardo Coutinho.

Depois, foi a vez de Bolinha provocar Adriano Galdino: “O Sr. critica as oligarquias, mas foi três vezes prefeito de Pocinhos, elegeu um sobrinho e tem a esposa na disputa pela Prefeitura”. Adriano Galdino se irritou: “Consulte o Aurélio para saber o que é oligarquia. Se o Sr. não sabe, vou ensinar: Para ser oligarquia, é preciso ter grupo forte e Adriano não tem, porque vendeu confeitos (bombons) na feira, quebrou açúcar na estopa (parte grosseira do linho, usada geralmente para serviços de limpeza) para ensacar. Eu era pobre na forma da lei. Ousei ser prefeito porque fui convocado. Não tenho tradição política para formar oligarquia”.

Bolinha não se conformou: “O candidato quer trazer para Campina Grande a filial se sua oligarquia de Pocinhos. “Adriano voltou a insistir: Você é mais um riquinho que quer ser prefeito. Tem fala fácil, porque decora. Não sabe o que é sofrimento. Só tem casaca. Basta de riquinho que quer ser prefeito”.

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