terça, 18 de dezembro de 2018
Eleições
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No mercado do voto, eleitor também vira comerciante

Mislene Santos / 24 de agosto de 2016
Foto: Infográfico Correio
Seguindo a lei da oferta e da procura como se estivessem em um mercado público, no período eleitoral da mesma forma que alguns candidatos tentam comprar o voto do cidadão, há eleitores que tentam vendê-lo e ainda aqueles que fecham negócio com vários postulantes, agindo da mesma forma de um estelionatário. Para essa conduta, a Justiça Eleitoral é clara: tanto a compra quanto a venda de votos é crime que podem gerar multa e até a prisão.

De acordo com alguns candidatos, as demandas  são os mais variados e imagináveis possíveis. Alguns deles relatam que a procura é constante e só aumenta com a chegada do período eleitoral. E eles até listam os pedidos que estão no topo do ranking.

“Este ano o pedido de habilitação está no topo da lista, tanto para tirar a primeira via, como para renovar. No meu gabinete já chegou uns 40 pedidos desse tipo. O pagamento das contas de água e de energia também são bastante frequentes”, declarou Djanilson da Fonseca.

Outro postulante à Câmara da Capital disse que os pedidos são constantes e que durante a campanha se intensificam. “O que se puder imaginar as pessoas pedem. De material de construção ao pagamento de prestação de carro atrasado.  Diante dessa situação a gente explica que a gente não tem condições de atender as solicitações e nem a Justiça Eleitoral permite”, desabafou João dos Santos.

Os pedidos vêm de todas as formas: pessoalmente, por telefone e até pelas redes sociais. Uma candidata que tenta o primeiro mandato contou que já recebeu várias mensagens na sua conta do Facebook de dois tanques de gasolina e de sacos de cimento. “Eu tive que ser curta e grossa diante dessa situação e falei que essa conduta é crime eleitoral e que não faço esse tipo de política”, declarou a postulante.

Mercado de votos

O presidente da União Brasileira de Municípios (Ubam), Leonardo Santana, disse que durante o período eleitoral se estabeleceu um mercado de votos.  “Todo mundo quer vender, as pessoas não querem votar sem receber nada em troca”, afirmou Santana. Ele falou, ainda, que quando os eleitores recebem uma resposta negativa se irritam e chegam a agredir verbalmente os candidatos. “Eu mesmo já presenciei muito candidato sendo xingado de tudo que é jeito, inclusive, com palavras de baixo calão”, completou Leonardo.

Eleitor também é punido

“O crime eleitoral pode ser cometido pelo candidato, como pelo eleitor. A lei vale para os dois e, consequentemente, as sanções também”. A afirmação é do assessor da Escola Judiciária do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Gerson José. Segundo ele, da mesma forma que o eleitor pode procurar a Justiça Eleitoral para denunciar o candidato que está o assediando, os candidatos que se sentirem lesados podem fazer a mesma coisa.

“A legislação é a mesma para os dois e não deve haver tratamento diferenciado para quem cometer crime eleitoral. As pessoas devem buscar votar de forma consciente e não trocar seu voto pelo que quer e o que seja, pois tanto ele como a população sofrerá por conta desse tipo de negociata”,  ressaltou Gerson José.

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