segunda, 19 de fevereiro de 2018
Eleições
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Descrença nos políticos faz abstenção crescer

Adriana Rodrigues / 17 de julho de 2016
Foto: Arquivo
A descrença da população na classe política brasileira deve contribuir para o aumento das abstenções nas eleições deste ano na Paraíba. Mesmo com a obrigatoriedade de voto, as pessoas acham que sair de casa para votar é perda tempo e gasto de dinheiro. E afirmam que não vale à pena exercer o direito e dever de votar nos candidatos que concorrem aos cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador de seus municípios, por não atenderem os anseios da coletividade.

Isso tem contribuído para o crescimento do índice de abstenção no Estado, que das eleições 2008 para 2014 teve um aumento de 40,68%.

A alternativa para os que não vão votar será o pagamento de uma multa simbólica, no valor de R$ 3,50, cobrada pela justiça Eleitoral aos que deixam de votar para regularizar a situação e receber a quitação eleitoral. Ou no caso, de comparecer às urnas, anular o voto ou votar em branco. As pessoas preferem cada vez mais ficarem afastadas da política. Diante do histórico do aumento da abstenção, a expectativa de especialista é que nas eleições deste ano, a ausência do eleitor será ainda maior do que nos últimos quatro pleitos, que sai de 13,39% para 17,65%.

Ameaça à democracia

Para o juiz Breno Wanderley César Segundo, integrante do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) e diretor de Escola Judiciária Eleitoral da Paraíba (EJE-PB), o aumento do número de abstenções devido o fato do povo estar desmotivado e descrente com a classe política, deve aumentar. “Se nas eleições passadas o índice foi alto, esse ano tende a crescer principalmente com as constantes notícias dos escândalos políticos, como o da Petrobrás e tantos outros”, comentou o magistrado.

De acordo com o magistrado, com a abstenção a democracia acaba vulnerabilizada e isso pode ter como conseqüência o questionamento sobre as eleições e a própria legitimidade dos eleitos.

Segundo ele, a Justiça Eleitoral está fazendo a parte dela, por meio de toda uma propaganda institucional voltada à importância da participação do eleitor, para ele ser responsável pela fiscalização das eleições. Como também, destinada à orientação pela escolha de candidatos ficha limpa, da importância do exercício do direito do voto como mecanismo de mudança.

Reforma política é fundamental

O historiador Lúcio Flávio Vasconcelos, professor de história política da América Latina, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) disse que a sociedade brasileira tem avançado muito quanto à exigência dos seus direitos. Ele explicou que com o aumento da escolaridade e o crescimento dos meios de comunicação, principalmente as redes sociais, os brasileiros têm um poder maior de investigar, criticar e propor novas formas de organização.

“Já os políticos profissionais ainda vivem no atraso, em práticas do século XX. Acreditam que podem agir à margem da lei, como se a política fosse um meio de enriquecimento e não para servir ao conjunto da população”, comentou, ressaltando, que por isso, a dita classe política está cada vez mais desacreditada e distanciada do resto da sociedade, mergulhada em denúncias de corrupção, e muitos deles condenados e presos.

Lúcio Flávio acredita que para que a sociedade volte a crer nos agentes políticos, se faz necessário uma profunda reforma política que aumente os mecanismos de controle dos cidadãos sobre seus representantes, como existem em democracias mais avançadas como França, Inglaterra, Dinamarca e Estados Unidos. “Enquanto isso não ocorrer, enquanto os políticos profissionais permanecerem nas páginas policiais, a descrença da sociedade nos partidos só irá aumentar e a abstenção eleitoral será ampliada. Cada vez mais haverá um distanciamento da sociedade e dos políticos. A crise será ampliada até uma ruptura e uma profunda renovação nas normas que regem o sistema político brasileiro”, declarou.

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