domingo, 20 de maio de 2018
Política
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Doleiro do tráfico que foi preso agia da Paraíba

Redação / 16 de Maio de 2018
Foto: Reprodução
Preso nessa terça-feira (15) em João Pessoa, durante a operação ‘Efeito Dominó’, o doleiro Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará, levou a Polícia Federal a tratá-lo como vínculo entre o narcotráfico e políticos corruptos. Ele e seu braço direito, Edmundo Gurgel, foram transferidos para Curitiba.

A Operação foi deflagrada nessa terça-feira (15) em sete estados e prendeu oito pessoas, entre elas Ceará e outro doleiro que atuavam para o narcotraficante Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, conhecido também como o “embaixador do tráfico”. Ele é apontado pela PF como o maior traficante de drogas do Brasil e um dos maiores do mundo.

O delegado da PF responsável pela Operação, Roberto Biasoli, disse haver indícios de que dinheiro oriundo do narcotráfico tenha sido entregue a políticos e agentes públicos corruptos investigados pela Operação Lava Jato. “Há indícios de um vínculo muito claro do dinheiro do narcotráfico, em espécie, indo parar nas mãos de políticos”, afirmou Biasoli.

Em 2015, o doleiro Ceará firmou um acordo de colaboração premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) que foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal). No acordo, Ceará afirma que trabalhava para o doleiro Alberto Youssef como entregador de valores e mencionou repasses de dinheiro em espécie direcionados a diversos políticos como os senadores Fernando Collor de Melo (PTC-AL), Renan Calheiros (MDB-AL) e Aécio Neves (PSDB-MG). Os repasses teriam sido ordenados por empreiteiras investigadas pela Lava Jato.

Biasoli diz que há indícios de que Ceará trabalhava tanto para o narcotráfico quanto para o esquema investigado pela Operação Lava Jato. A suspeita é que dinheiro recebido por Ceará oriundo do tráfico de drogas era depois repassado a políticos.

Biasoli afirma que, durante seus depoimentos à Operação Lava Jato, Ceará havia dito que ele seria atrativo a Youssef por ter acesso a dinheiro em espécie oriundo da venda de relógios e vinhos. O delegado diz acreditar que, na realidade, a liquidez à qual Ceará tinha acesso era resultado da sua atuação junto ao tráfico.

Por ter, segundo a PF, continuado a atuar como doleiro, Ceará corre o risco de perder os benefícios que conseguiu ao firmar o acordo de delação premiada.

Apura lavagem de dinheiro

A Polícia Federal informou que a Operação Efeito Dominó é mais um desdobramento dos trabalhos iniciados em 2017 e que resultaram na chamada Operação Spectrum. A ação desta fase tem, dentre outros, o objetivo de reunir informações complementares da prática dos crimes de lavagem de dinheiro, contra o Sistema Financeiro Nacional, organização criminosa e associação para o tráfico internacional de entorpecentes.

Dentro das estruturas investigadas neste caso, verificou-se a atuação concreta e direta de dois operadores financeiros (“doleiros”) já conhecidos de operações anteriores da Polícia Federal – Farol da Colina (caso Banestado) e Lava Jato. Ambos foram alvos de tais investigações pelas práticas dos mesmos crimes investigados.

O traficante, conhecido como Cabeça Branca, está preso na penitenciária federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte (estado vizinho à Paraíba).

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